Coleção de arte privada de David Bowie vai ser leiloada

15 JULHO, 2016 -

Quase 300 obras de artistas como Damien Hirst, Henry Moore e Marcel Duchamp vão ser expostas em novembro na leiloeira Sotheby’s, em Londres, antes de serem leiloadas.

Espera-se que a coleção consiga arrecadar mais de 10 milhões de libras, cerca de 12 milhões de euros, valor que irá para a família de Bowie.

A obra mais valiosa do lote é uma pintura em estilo graffiti, Air Power, do americano Jean-Michel Basquiat, com um valor estimado entre 2,5 e 3,5 milhões de libras (cerca de 3 e 4,2 milhões de euros). Bowie comprou a obra um ano após ter representado o mentor do artista, Andy Warhol, no filme de 1996 “Basquiat”.

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Jean-Michel Basquiat, Air Power, 1984/Sotheby’s

“Esta coleção oferece uma perspectiva única sobre mundo pessoal de um dos espíritos mais criativos do século XX,” afirmou Oliver Barker, director da Sotheby’s na Europa.

A coleção é maioritariamente composta por obras de artistas britânicos do século XX, incluindo quadros de Stanley Spencer, Patrick Caulfield e Peter Lanyon. Tendo nascido e crescido no sul de Londres, David Bowie revelou uma grande atração por cronistas das ruas da capital, como Leon Kossoff e Frank Auerbach. Em 1998, o músico referiu-se ao trabalho de Auerbach. “Ó meu deus, sim! Eu quero que a minha música soe o que elas [as pinturas de Auerbach] aparentam”, afirmou David Bowie ao New York Times.

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Frank Auerbach, Head of Gerda Boehm, 1965/Sotheby’s

Mas a coleção de Bowie não está limitada à arte britânica. Nela se encontra uma obra de Duchamp, A Bruit Secret, em que o artista colocou uma bola de corda entre duas placas de latão, com um objeto escondido no meio. É esperado que a obra seja vendida por 250 mil libras, o equivalente a 298 mil euros.

O artista e crítico de arte Matthew Collings afirmou que a coleção, de obras “vívidas e entusiasmantes”, reflete a personalidade do músico. “Eu caracteriza-la-ia como arte boémia, romântica, expressiva e emocional. Enfim, arte que está repleta de sentimentos. Que pede reações instintivas, algo viscerais, e que te entusiasma de imediato”, afirmou Collings.

O crítico acredita que o músico manteve privada a sua coleção porque “não era pretensioso”. “Acho que ele era absoluta e genuinamente um colecionador entusiasmado que não o fazia para se gabar ou sentir superior. Ele colecionava porque tinha um uso para aquelas obras e esse uso era pessoal. Olhava para todas aqueles trabalhos e isso alterou a sua forma de estar”, afirmou Collings.

Em 1994, o músico juntou-se à direção editorial da revista trimestral de arte Modern Painters, onde foi apresentado ao escritor William Boyd, de quem se tornaria amigo.

“Ele não foi para uma escola de artes. Mas quis conversar a sério sobre artistas, pintores, temas e movimentos. Por isso, aquilo não era um hobby ou um capricho, era uma paixão”, afirmou Boyd. “Ele podia ser ele próprio, David Jones, em vez de David Bowie. Encontrou um mundo onde se podia mover e que nada tinha a ver com a sua fama. Penso que para muitas pessoas famosas que encontrem esse mundo, isso seja uma realidade tremendamente gratificante”.

A partir de dia 20 de julho, já será possível visitar em Londres uma pré-exibição entre as 9:00 e as 16:30 em dias úteis, sendo que a visita é gratuita e aberta ao público. Existirão também ante-estreias em Nova Iorque, Los Angeles e Hong Kong, nos meses de setembro e outubro.

Finalmente, entre 1 e 10 de novembro,  a coleção será exibida nas galerias New Bond Street da Sotheby’s, em Londres. O leilão decorrerá nos dias 10 e 11 de novembro. Juntamente com 267 pinturas, vão ser leiloadas mais de 120 peças de mobiliário e escultura do século XX.

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