Christopher Nolan recua e assume que se excedeu nas críticas à Netflix

8 NOVEMBRO, 2017 -

Christopher Nolan é um apaixonado e entusiasta da película, para além de ser um defensor da visualização de filmes no cinema. O seu último filme, “Dunkirk”, foi filmado em 70mm, 35mm e com algumas cenas capturadas com câmaras IMAX.

Em Julho deste ano, numa entrevista ao BadTaste, o cineasta falou também da tecnologia 4K: “O que é incrível sobre a tecnologia 4K é o facto de que a imagem se aproxima à filmada em película. Foto-quimicamente falando, películas de 35mm tem uma resolução de pelo menos 6K e filmes em IMAX chegam a quase 18K. Então, conforme os formatos de home vídeo continuem a evoluir, chegamos a 4K – e particularmente um 4K combinado com HDR, o que dá ao espectador, em casa, uma experiência muito próxima da qualidade da imagem capturada directamente na película.

Agora, Nolan recua e assume que se excedeu nas críticas à Netflix: “Não fui muito educado. Falei no que acredito, mas fui pouco diplomático na forma como expressei os meus pensamentos. Não apresentei o contexto da natureza realmente revolucionária das coisas que a Netflix fez. Eles merecem respeito pelo que fizeram, e isso é algo que eu tenho“, disse o realizador britânico em entrevista à Variety.

Também em Julho deste ano e em entrevista ao jornal El Mundo, Nolan revelou que assistir ao seu novo filme de guerra, “Dunkirk”, na televisão seria uma espécie de heresia: “A televisão existe desde os anos 50 e a Netflix é televisão. Quem se importa com a Netflix? Não faz diferença para ninguém, não é mais do que uma moda, uma tempestade num copo de água. Qual é a definição de um filme? O que é um filme? Algo que dura duas horas? É um género específico? Não. O que sempre definiu um filme foi o facto de ser exibido nos cinemas. Nem mais, nem menos. O facto de a Netflix fazer filmes para televisão que competem nos Óscares ou no Festival de Cannes significa apenas que o cinema está a ser utilizado como ferramenta de promoção […] Agora, se eu fosse o director de um festival, não aceitaria os filmes da Netflix porque não são filmes“. E revelou ainda, dizendo: “Quando comecei a minha carreira como cineasta, na década de 1990, o nosso maior pesadelo eram os lançamentos directos para televisão. Não há nada novo quanto a isso – o que é diferente e novo sobre esse modelo é vender isso para os executivos de Wall Street como uma inovação ou revolução“, completou Nolan.

Recentemente temos visto que os serviços de streaming têm financiado e distribuído projectos quase engavetados de cineastas renome como “The Irishman”, sonho antigo de Martin Scorsese, ou ”Orson Welles, The Other Side of the Wind”. Para além disto, este tipo de plataformas também têm ajudado a difundir obras de realizadores independentes como Todd Haynes, Barry Jenkins ou Luca Guadagnino.

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