‘Chef’s Table’: Quando os Chefes de cozinha se tornam ídolos

15 FEVEREIRO, 2017 -

Chef’s Table, criada por David Gelb, com uma banda sonora e trabalho cinematográfico exemplar, agradará a mais do que somente aos amantes de comida. A terceira temporada terá estreia mundial no serviço Netflix no dia 17 de Fevereiro.

O início de Chef’s Table condiciona-nos. Sabemos logo à partida que não estamos perante uma série que aborda apenas comida. São mostradas construções e desconstruções de vários pratos à medida que a parte invernal da composição musical “Quatro Estações”, do compositor italiano Antonio Vivaldi, toca em pano de fundo. Pratos e empratamentos que não são conhecidos do público em geral mas, mais uma vez, esta série documental, distribuída e co-produzida pela Netflix, não é sobre comida.

Não, não se trata de mais uma série sobre como confeccionar determinado prato (estes dificilmente serão recriados numa cozinha tradicional), também não encontramos informação nutricional, nem uma nova onda de receitas sobre uma qualquer nova dieta paleo-vegetariana.

Aqui os ingredientes são elevados a obra artística e social, tornando-se o documentário sobre o processo da criação. Cada um dos doze episódios já exibidos ao longo de duas temporadas segue um chefe reconhecido mundialmente, no seu restaurante e cidade onde se encontra. E é neste ponto que Chef’s Table se torna especial. A narrativa é obviamente sobre a forma como os ingredientes são tratados por cada um dos chefes, mas, mais que isso, é sobre a forma como os ingredientes se relacionam com o meio onde estão inseridos.

Chef’s Table é, entre outras histórias fascinantes, sobre a forma como um chefe salva a comunidade de Modena, Itália, da bancarrota após o terramoto de 2012 através do uso criativo do queijo Parmigiano-Reggiano produzido na cidade e principal exportação da localidade. É também sobre as diferentes histórias dos chefes que serviram de inspiração para enveredarem numa carreira culinária.

É nestas narrativas que esta série documental se pode tornar ridícula. A elevação do Chefe de cozinha a super-herói pode não agradar a todos. Para além disso, algumas das histórias poderão não passar de efabulação para criação do mito que o chefe produz de si mesmo.

Contudo, estas efabulações surgem muito provavelmente da necessidade das vidas cada vez mais citadinas escaparem da urbe. Estes chefes, com o uso dos ingredientes que a ideia bucólica de campo oferece, são a garantia desta experiência sem se escapar da cidade. É precisamente aí que reside grande parte do apelo desta série documental.

De seguida, apresenta-se o trailer da primeira temporada de Chef’s Table:

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