Chanan Tigay: ‘Shapira foi um trapaceiro, um burlão e um mentiroso. Mas também foi um Génio’

26 JULHO, 2017 -

Em 1883, um negociante de antiguidades chamado Moses Shapira propôs vender ao Museu Britânico 15 tiras de couro que dizia terem sido escritas por Moisés. Pela relíquia, pediu a soma astronómica de um milhão de libras. O caso acabou em suicídio. «Ele queria fazer alguma coisa em grande, mas foi longe de mai

Filho de um rabino, Chanan Tigay nasceu em Jerusalém e cresceu nos Estados Unidos, onde estudou sempre em escolas judaicas. Um dia, à refeição, o pai contou-lhe a história de Moses Shapira (1830-1884), um negociante de antiguidades que em 1883 anunciou ter descoberto o exemplar original do Deuteronómio (o livro da Bíblia que contém os Dez Mandamentos), escrito pelo próprio punho de Moisés.

A notícia provocou comoção quer no mundo académico, quer nos meios mais populares, e Shapira, que nascera pobre e queria ascender socialmente, propôs vender o manuscrito ao Museu Britânico pela soma fabulosa de um milhão de libras – o equivalente a aproximadamente 215 milhões de euros atuais.

Fascinado pelo relato do seu pai, Chanan Tigay tentou ir à descoberta da verdade sobre o manuscrito de Shapira. Até porque, embora na altura a relíquia tenha acabado por ser considerada falsa pelos especialistas, a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, em 1947, perto de onde Shapira afirmava ter sido encontrado o seu manuscrito do Deuteronómio, veio reabrir a questão.

Durante cinco anos Chanan Tigay, que cobriu o conflito israelo-palestiniano como repórter e hoje ensina escrita criativa na Universidade de São Francisco, andou no encalço de Shapira e do pergaminho desaparecido. O relato da sua busca e as conclusões a que chegou estão n’O Livro Perdido de Moisés (ed. Temas e Debates), que o autor concebeu como um policial que tinha de ser rigoroso para que especialistas como o seu próprio pai não detetassem incongruências. Aparentemente conseguiu. Há cerca de um mês, diz-nos, «um erudito israelita chamado Emanuel Tov, que liderou o Projeto Internacional dos Manuscritos do Mar Morto, escreveu uma crítica do livro luminosa». Tigay não ficou apenas orgulhoso, sentiu-se também aliviado. «Quer dizer que não fiz asneira da grossa».

A primeira vez que ouviu falar no nome de Moses Shapira foi à mesa de jantar, não é verdade?

Sim. Estava a falar com o meu pai sobre um artigo que andava a escrever, a propósito de todos os anos ser anunciada a descoberta da Arca de Noé – e acaba sempre por se revelar uma fraude. E o meu pai diz-me: ‘Queres ouvir um verdadeiro embuste bíblico?’. E eu disse que sim.

O que faz o seu pai?

O meu pai é rabino, mas não daqueles que estão na sinagoga a pregar. Preferiu sempre manter-se um estudioso da Bíblia e deu aulas na universidade até há pouco tempo. Ele passou 16 anos a escrever um livro sobre o Deuteronómio, que é o último livro do Pentateuco – os cinco livros de Moisés. O protagonista do meu livro, Moses Shapira, também se meteu em problemas por causa de um manuscrito do Deuteronómio. Isso interessava ao meu pai, mas a verdade é que, para um tipo como ele, a história de Shapira era quase um acontecimento atual, porque ele lê sobre coisas que aconteceram há milhares de anos e isto só aconteceu em 1883.

Sendo o seu pai rabino, o Chanan foi educado de forma religiosa?

Completamente. Para começar, nasci em Israel, porque os meus pais estavam lá num ano sabático a fazer investigação. Desde o berçário até ao liceu andei sempre na escola judaica, onde estudei a Bíblia, Hebraico, História Judaica e de Israel, e um pouco do Talmude [conjunto de livros sagrados com as leis e os preceitos do Judaísmo]. Na universidade tirei o curso de Ciência Política, mas fiz um minor em Estudos Religiosos.

E a religião interessa-o apenas do ponto de vista académico ou também é crente?

Como hei-de responder a essa pergunta? Não sou um judeu muito praticante. Não ando com uma quipá na cabeça, por exemplo. Vou à sinagoga ocasionalmente, só como comida kosher, mas não sou particularmente praticante. Cresci num movimento moderado do Judaísmo chamado movimento conservador. Tentamos aderir tanto quanto possível à Lei Judaica mas também reconhecemos que hoje se vive um tempo muito diferente de quando estas leis foram escritas.

Foi ainda pequeno para os Estados Unidos…

Sim, vim de Israel quando tinha seis meses e cresci em Filadélfia.

E continuou a visitar Israel com regularidade?

Muitas vezes. Voltámos logo quando eu tinha um ano ou dois, por mais um ano, passávamos lá os verões e no início dos anos 2000 fui para lá trabalhar como jornalista. Estava como repórter em Nova Iorque e quando rebentou a Segunda Intifada [rebelião dos árabes contra Israel] fui para Jerusalém para escrever sobre a violência. Cobri o conflito israelo-palestiniano para a Agence France Press.

Era seguro cobrir o conflito?

Como vê, estou aqui.

Mas correu riscos?

Não passei muito tempo nos territórios palestinianos, porque tenho cidadania israelita e por isso é muito complicado entrar nessas áreas. Fiquei quase sempre em Israel, onde havia atentados bombistas, tiroteios e coisas dessas, mas eu ia só depois de acontecerem. Não é necessariamente perigoso, mas é horrível. Veem-se corpos no chão… lembro-me de uma joalharia no segundo andar de um centro comercial que tinha explodido, havia um vidro estilhaçado com pedaços de carne pendurada. Nunca nos esquecemos do que vimos ali. Ainda não tinha 30 anos na altura e os meus pais estavam em Filadélfia muito nervosos. Antes de eu partir obrigaram-me a prometer que sempre que houvesse um ataque bombista lhes ligava a dizer que estava bem. Portanto eu era supostamente um repórter duro, mas estava sempre na esquina a telefonar à minha mãe. [Sussurra com a mão a tapar a boca, como se estivesse a falar às escondidas] ‘Mãe, estou bem’. A seguir ia tirar os meus apontamentos. [risos]

Antes de falarmos sobre os defeitos de Moses Shapira, gostava que me falasse das qualidades dele.

Tudo o que foi escrito sobre Shapira é a dizer que ele foi um trapaceiro, um burlão, um mentiroso. E isso é verdade. Mas também foi um génio, um pai e um marido afetuoso. Também foi um importante fornecedor de antiguidades autênticas e um dos mais importantes negociantes de manuscritos bíblicos do Museu Britânico no final do século XIX. Mas, como toda a gente, tinha mais de uma face. À medida que fui escavando mais e mais, fui ficando abismado pela sua capacidade intelectual e apaixonei-me por esta figura. Shapira nasceu em Kamenetz-Podolski, uma cidade que tinha pertencido à Polónia, à Rússia e à Lituânia, e quando tinha vinte e poucos anos partiu para a Terra Santa. Algures na Bulgária conheceu missionários cristãos que o convenceram da verdade dos Evangelhos e converteu-se à Igreja Anglicana. Chegou a Jerusalém já como cristão. Algumas pessoas olham para isto de forma crítica, porque nessa época, em Jerusalém, os judeus estavam no último degrau da pirâmide sócio-económica. Os cristãos viviam muito melhor.

Também vê essa conversão como uma jogada oportunista?

Acho que provavelmente o desejo de ascender socialmente desempenhou o seu papel. Nunca consegui perceber até que ponto Shapira acreditava mesmo nos dogmas do Cristianismo. Li relatos sobre ele que dizem que levava o seu próprio exemplar da Bíblia para a Igreja, sentava-se a ler sozinho e ignorava o padre. Ele acreditava piamente na Bíblia, na sua verdade e sacralidade, mas talvez também tenha percebido que o melhor para ele fazer, se queria escalar até ao cimo da hierarquia, era tornar-se cristão.

Shapira montou uma pequena loja de artigos religiosos em Jerusalém e acabou por tornar-se, como disse, negociante de manuscritos. Onde arranjava esses documentos autênticos que vendia a instituições tão importantes como o Museu Britânico?

Esses documentos que ele leva ao Museu Britânico vêm do Iémen, que na época era uma parte do mundo onde muito poucos europeus tinham posto o pé. Era terra incógnita. Por isso toda a informação que ele trouxesse de lá era relevante. Quando Shapira viajou pelo Iémen, de cavalo ou de camelo, levou instrumentos científicos para fazer medições e escreveu cartas para casa a falar sobre todos os animais que ia vendo, todos os diferentes costumes que ia testemunhando – era uma espécie de cientista, explorador, sociólogo, antropólogo. Finalmente chega ao seu destino – Áden e as zonas circundantes, onde há comunidades judaicas bastante grandes. Ele vai a essas comunidades, torna-se amigo dessas pessoas e insinua-se nas suas vidas. E quando finalmente parte tem centenas de manuscritos consigo.

Como os adquiriu?

Provavelmente não de uma forma muito honesta. Essencialmente parece tê-los roubado [risos]. E, se não os roubou, ou enganou a comunidade ou pagou quase nada por eles. Há uma história de ele ter contratado gendarmes turcos, polícia militar, para irem com ele à comunidade e tirarem esses manuscritos. Mais uma vez, por um lado, ele abriu uma área de estudo aos académicos ocidentais, porque trouxe estes textos desconhecidos; por outro lado trouxe-os de uma forma que parece muito desonesta.

Depois aparece este manuscrito do Deuteronómio que Shapira tenta vender por um milhão de libras. Por que pediu tanto dinheiro? Queria enriquecer, queria notoriedade…?

A resposta é sim. Sim, queria enriquecer, sim, queria notoriedade. Mas também procurava algo mais.

Reconhecimento?

Reconhecimento por parte de um grupo muito específico de pessoas. Shapira não tinha a educação académica que os grandes eruditos da Bíblia tinham. Não tinha um doutoramento de uma universidade alemã ou inglesa. Estudou numa academia judaica, mas a partir daí foi um autodidata. E andou sempre à procura da aceitação de homens com mais formação. Pode ver-se pelas cartas que escreve. Em público ele é um homem de espetáculo, que faz tudo para que as coisas pareçam empolgantes e românticas, mas quando escreve para estes eruditos é sempre de uma grande reverência, de um grande respeito. E há outra coisa. Uma década antes de tentar vender o Deuteronómio ao Museu Britânico, ele meteu-se em sarilhos por vender cerca de duas mil estatuetas que disse serem Moabitas [povo nómada que se estabeleceu a Leste do Mar Morto 1200 anos antes de Cristo]. Nunca tinham sido encontrados vestígios da cultura moabita naquela região e de repente Shapira apareceu com milhares e milhares deles e vendeu-os ao governo alemão por muito dinheiro. Mas descobriu-se que eram falsos.

Foi desmascarado?

Os eruditos não acharam que Shapira tivesse falsificado estas estatuetas mas antes que ele tinha sido enganado por algum beduíno. Em qualquer caso foi um enorme embaraço para ele e foi mau para o negócio. O escândalo atingiu proporções tais que todas as peças compradas pelo governo alemão foram retiradas dos museus, houve debates no Parlamento para perceber como tinha sido possível acontecer esta calamidade e como impedir que se repetisse. Shapira tinha-se tornado famoso antes, mas não pelas razões que gostaria. Se aparecesse com algo ainda maior, ainda melhor, por um milhão de libras, talvez assim parassem de falar sobre as estatuetas Moabitas e começassem a falar sobre o manuscrito do Deuteronómio. Penso que tudo isso estava em cima da mesa quando em 1883 apareceu no Museu Britânico e disse: ‘Tenho este manuscrito incrível e quero um milhão de libras por ele!’.

Mas as coisas acabaram por não correr como esperava…

É verdade. Ele queria fazer alguma coisa em grande e parece ter levado os seus esforços longe demais. E saiu-lhe o tiro pela culatra. Foi uma enorme vergonha para ele.

E acabou por conduzir ao seu suicídio. Quando Shapira deixa Inglaterra e vai para a Holanda já tem a intenção de se matar?

É difícil dizer. Talvez lhe tenha passado pela cabeça. Antes de partir de Inglaterra, duas pessoas, Christian David Ginsburg, que era um dos grandes estudiosos da Bíblia da época, e Charles Clermont-Ganneau, um dos grandes arqueólogos, tinham publicamente manifestado a sua opinião de que o manuscrito era uma falsificação. Mas Ginsburg, enquanto trabalhava para o Museu Britânico a transcrever o documento, tinha posto um par de tiras de couro em exposição. Assim que declarou que o manuscrito era falso, Shapira escreveu-lhe uma carta a perguntar: ‘Por que expôs as tiras se eram falsas? Não penso que possa sobreviver à vergonha’. Mas pouco depois, quando estava em Amsterdão, escreveu uma carta de 14 páginas para o museu, em que revia ponto por ponto os argumentos de Ginsburg contra o seu manuscrito.

Estava de novo mais moralizado?

Exato. Mas à medida que o tempo passou percebeu que ninguém ia mudar de opinião, que já não ia regressar a Jerusalém como um herói com um milhão de libras, mas que regressaria envergonhado. A mulher e a filha gastaram rios de dinheiro em compras a crédito, enquanto ele estava em Inglaterra, porque estavam prestes a tornar-se a família mais rica de Jerusalém. Tudo isto foi-se tornando claro e desta vez não havia maneira de remediar o mal que tinha sido feito. Por isso, em março de 1884 ele aluga um pequeno quarto em Roterdão e dá um tiro na cabeça.

Um dos argumentos apresentados pelos céticos foi a impossibilidade de um pedaço de couro sobreviver tanto tempo. Afinal, era ou não era possível ter chegado até nós?

Sim, esse foi um dos principais argumentos contra a autenticidade do manuscrito de Shapira, a ideia de que o couro ou o pergaminho não poderiam sobreviver naquela região por dois mil anos. E no entanto… Mais de seis décadas de Shapira ter morrido e de este manuscrito ter sido descartado como falso, foram descobertos os manuscritos do Mar Morto. Shapira, quando chegou ao Museu Britânico, disse: ‘Estes rolos foram encontrados por um beduíno em grutas perto do Mar Morto, estavam embrulhados em linho, e estavam cheios de variantes do texto tradicional da Bíblia’. Agora vamos avançar 60 e tal anos, até ao aparecimento dos Manuscritos do Mar Morto: descobertos por um beduíno que vagueava pelo Mar Morto, em grutas, embrulhados em linho, cheios de variantes do texto tradicional. Nessa altura [1947], as pessoas pensaram: ‘Não pode ser! Shapira encontrou os primeiros Manuscritos do Mar Morto, 60 anos antes dos outros’. Então decidiram ir à procura dos rolos dele, para provar se eram os primeiros manuscritos do Mar Morto ou um embuste. Mas os manuscritos tinham desaparecido misteriosamente.

Durante esta investigação chegou a acreditar que o manuscrito de Shapira fosse autêntico?

Quando comecei estava sobretudo interessado na ideia de que este manuscrito tinha desaparecido e eu podia ir à procura dele. Não achava provável que ele fosse autêntico. Mas quanto mais pesquisava mais comecei a acreditar que podia ser muito antigo. Não necessariamente tão antigo como Shapira dizia – na altura havia a crença de que este podia ser o Livro do Deuteronómio original, escrito pelo próprio Moisés. Podia ser algo a meio caminho… À medida que os anos passavam e a discussão com o meu pai ia progredindo comecei a aceitar essa teoria. Só oito dias antes da data de entrega do meu livro ao editor é que fiz uma descoberta em S. Francisco, na universidade onde dou aulas, que me obrigou a repensar tudo.

E teve de reescrever grandes partes do livro?

Sabe quando vê qualquer coisa de que não estava à espera e o cérebro demora um minuto a processar o que está a ver? Gradualmente foi-se fazendo luz: ‘Não acredito no que estou a ver! Finalmente consigo resolver o mistério que me tinha proposto resolver há cinco anos’. E no momento seguinte apercebo-me: ‘Meu Deus, isto é péssimo. Tenho de ir para casa e reescrever todo o final do meu livro numa semana’. Foi o que acabei por fazer. E acho que o livro é imensamente melhor do que seria se não tivesse resolvido o mistério no âmago da demanda.

Ao longo destes cinco anos gastou seguramente muito dinheiro nesta investigação, dedicou-lhe muito tempo e muito esforço. Alguma vez pensou que poderia estar apenas a desperdiçar os seus recursos porque não ia conseguir descobrir a verdade?

A toda a hora. Viajei por oito países em quatro continentes, incluindo a Austrália, e a alguns destes países fui várias vezes. Esta empresa não apenas consumiu muito tempo como se tornou muito dispendiosa. E em cada país a que ia batia contra uma parede, e outra, e outra. Viajava milhares de km para ver um documento e quando chegava afinal ele não estava ali. Pistas que pareciam imensamente promissoras revelaram-se sem valor. Muitas vezes estava sentado em frente à televisão a comer cereais e a pensar: ‘Quem me dera que isto acabasse de uma vez por todas, nunca vou encontrar nada. Não vai haver livro, vou perder o emprego, os editores vão pedir-me o dinheiro de volta’. Estava preocupado. Mas houve duas coisas. Uma foi que a minha mulher me apoiou sempre. Nunca me disse: ‘Por favor para de gastar todo o nosso dinheiro nisto’. Isso foi muito importante. E a outra coisa foi que sempre que ficava frustrado, deprimido ou pessimista, pensava: ‘Posso nunca encontrar o que procuro, mas se deixar de procurar agora, aí é que de certeza não encontro. Se continuar à procura talvez acabe por ter sorte’. E no fim percebi isso: leva tempo a ter sorte. É preciso muito trabalho para ter sorte. Se eu fosse para Inglaterra duas semanas depois de o meu pai me ter contado esta história e encontrasse os manuscritos no Museu Britânico não haveria livro, não haveria aventura. Teria sido um grande achado, é verdade, mas não teria tido metade da piada.

Agora que resolveu o mistério acha que quebrou um pouco o encanto que Shapira tinha para os aficionados?

Percebo o que quer dizer, mas a resposta é não. O que descobri no fim é que fossem ou não autênticos [os manuscritos], Shapira era um génio. Se ele tivesse encontrado um manuscrito muito antigo, era apenas um tipo cheio de sorte. Se ele tivesse forjado o manuscrito e enganado o mundo durante tanto tempo, e os manuscritos forjados previssem o aparecimento dos manuscritos do Mar Morto 70 anos mais tarde então era um génio criativo, e em última análise acho que ser um génio criativo – mesmo que maligno – é muito mais interessante do que ser um sortudo. Não acho que quebre o encanto de Shapira, acho que só o torna mais apaixonante.

Entrevista de José Cabrita Saraiva, publicada no nosso parceiro jornal Sol

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