#CCA2016: Os 50 melhores álbuns de música de 2016

11 DEZEMBRO, 2016 -

Como seres humanos, temos a necessidade de fazer balanços e listas em relação ao que ficou para trás. Tais listas nunca serão unânimes, e não temos a ilusão de que as escolhas feitas por nós encerram uma verdade absoluta – nem que seja por existir diversas opiniões dentro da redação e por esta lista ser a confluência das mesmas.

Ao destacar determinados trabalhos, queremos, acima de tudo, honrar e trazer relevância àqueles que na nossa lista se encontram, dando oportunidade, a quem não o fez durante o ano, de tomar agora contacto com aquilo que classificámos conjuntamente como sendo o melhor feito na música neste ano de 2016, quer portuguesa, quer internacional.

50 – Neurosis – Fires Within Fires
49 – Vijay Iyer & Wadada Leo Smith – A Cosmic Rhythm with Each Stroke
48 – Gojira – Magma
47 – Oathbreaker – Rheia
46 – The 1975 – I Like It When You Sleep, for You Are So Beautiful yet So Unaware of It
45 – Cass McCombs – Mangy Love
44- Samuel Úria – Carga de Ombro
43 – M83 – Junk
42 – Sean Riley & The Slowriders – Sean Riley & The Slowriders
41 – Beyoncé – Lemonade

50-41

40 – Filipe Sambado – Vida Salgada
39 – BADBADNOTGOOD – IV
38 – Two Door Cinema Club – Gameshow
37 – Bruno Pernadas – Worst Summer Ever
36 – Metronomy – Summer 08
35 – Gallant – Ology
34 – Bruno Pernadas – Those Who Throw Objects at Crocodiles Will Be Asked to Retrieve Them
33 – First Breath After Coma – Drifter
32 – Car Seat Headrest – Teens of Denial
31 – A Tribe Called Quest – We Got it from Here… Thank you 4 Your Service

40-31

30 – Whitney – Light upon the Lake
29 – Warpaint – Heads Up
28 – Eric Clapton – I Still Do
27 – Linda Martini – Sirumba
26 – Red Hot Chili Peppers – The Getaway
25 – The Kills – Ash & Ice
24 – Explosions in the Sky – Wilderness
23 – Sensible Soccers – Villa Soledade
22 – Aphex Twin – Cheetah
21 – Death Grips – Bottomless Pit

30-21

20 – PJ Harvey – The Hope Six
19 – Mitski – Puberty 2
18 – Parquet Courts – Human Performance
17 – Anderson .Paak – Malibu
16 – Blood Orange – Freetown Sound
15 – The Last Shadow Puppets – Everything You’ve Come To Expect
14 – ANOHNI – HOPELESSNESS
13 – Kanye West – The Life of Pablo
12 – Nicolas Jaar – Sirens
11 – Iggy Pop – Post Pop Depression

20-11

10 – Kendrick Lamar – untitled unmastered.

Kendrick Lamar reuniu demos que ainda não tinham sido previamente lançadas e, assim, surgiu untitled unmastered. Aliando o hip hop ao funk, e enraizando o jazz na sua essência, este álbum demonstra a colossal capacidade criativa do rapper, mesmo nos trabalhos que descarta em estúdio.

9 – Capitão Fausto – Capitão Fausto têm os dias contados

Depois de terem brincado com o rock puro e duro, com o áspero Pesar o Sol, os Capitão Fausto  limpam a produção para o polido e solarengo Capitão Fausto têm os Dias Contados. Pelo título, sabemos que encontraremos uma banda que não se leva muito a sério, mas é uma banda que continua a fazer música pelo amor que tem à mesma. Esse amor ouve-se nas canções directas e bem construídas que misturam o rock e a pop, indo beber a diversas fontes de inspiração, incorporando desde sonoridades barrocas (prova disso são os belos instrumentos de sopro que povoam o álbum), até a pop ligeira portuguesa de José Cid, cujo melhor exemplo é a fantástica “Tem de Ser”.

Com as letras mais mordazes que nunca, o álbum evoca a incerteza da segunda metade dos vinte e tal anos e até alguma nostalgia, num exercício de maturidade que é um massivo passo para a frente por parte dos Capitão Fausto e que os consolida como uma bandas nacionais contemporâneas mais interessantes.

8 – Angel Olsen – My Woman

Quem ouviu o primeiro single de My Woman, Intern, sabia que o álbum que Angel Olsen lançaria em 2016 seria bastante diferente do folk-rock intenso, mas comedido, a que a americana nos tinha habituado com os seus dois álbuns anteriores. Os sintetizadores calorosos da canção servem de base a uma das vozes mais evocativas do ano, que nos envolve na sua emoção. E que emoção essa.

A capacidade de compor canções de Angel Olsen é demonstrada ao longo de todas as dez canções do álbum, passando por sons reminiscentes dos anos 60 e 70 e conferindo ao álbum uma certa qualidade intemporal. My Woman é um álbum pessoal e universal ao mesmo tempo; intimista e grandioso; (enganadoramente) alegre e devastador.

Veja-se a textura de Heart Shaped Face, sublime canção, ou a crueza de Pops, o dilacerante número final deste espectáculo emotivo, para provar que não estamos enganados.

7 – James Blake – The Colour in Anything

Cinco anos depois da sua estreia e três do álbum Overgrown, The Colour in Anything é o amadurecimento da complexidade incompreendida de James Blake. São dezassete temas que se vão diversificando, harmoniosamente entre os registos electrónicos e clássicos, na complexidade poética das rimas e na simplicidade monocórdica do refrão. Timeless ou I Hope my Life são claramente a batida monocórdica genuína e única de James Blake. É um álbum claramente mais maduro, onde a robustez se espelha nas letras e nos arranjos mais cuidados.

6 – Leonard Cohen – You Want it Darker

O 14.º álbum de Leonard Cohen – e infelizmente o último – trouxe-nos o conforto perante a finitude de uma vida. Repleto de despedidas que se tornariam definitivas semanas mais tarde, You Want It Darker é um trabalho elaborado pelo Cohen pai e produzido pelo Cohen filho, numa impressionante e deslumbrante homenagem à vida de Leonard Cohen.

5 – Nick Cave – Skeleton Tree

Poucas devem ser as pessoas que conseguem ouvir na íntegra o mais recente trabalho de Nick Cave sem se comoverem. Talvez em parte porque é difícil distanciarmo-nos do facto de, no ano passado, o cantor ter perdido um filho (ainda que muitas letras tenham sido escritas antes do trágico acidente), mas principalmente porque este é um trabalho fruto das mais fortes emoções humanas, da nostalgia, do medo, da perda. Mais do que o poder das palavras, que é em todos os antecessores a este álbum uma grande arma, a voz com que as canções são entoadas é o que mais nos afeta as sensibilidades. Em I Need You, choramos porque Cave chora, porque sofre e não o consegue (ou quer) esconder.

Este é um álbum minimalmente produzido e que supera os seus antecessores na articulação de elementos de ambiente, sintetizadores e loops, desde a sonoridade etérea de Rings of Saturn, à assombrosa dissonância do tema de abertura Jesus Alone, à simplicidade conferida pela convencionalidade dos instrumentos acústicos. Distant Sky e Skeleton Tree fecham o álbum como o levantar de um véu negro, como tentativa de continuar um caminho que estará para sempre preso nas feridas do passado. “It’s alright now” são as palavras finais com que nos deixa Nick Cave; não está tudo bem, mas fingimos que sim e seguimos como podemos.

4 – Frank Ocean – Blonde

Incrível como Frank Ocean consegue, não só não sucumbir ao facto de lançar o álbum com mais hype do ano, como cumprir as expectativas que tanto hype traz consigo. Supera-o porque, quando se esperava um álbum francamente pop, recebemos um álbum introspectivo, lento, para ouvir de olhos fechados num quarto escuro, ou enquanto se percorre infinitas estradas, naqueles carros que ele tanto gosta.

Se em Nikes mantém o suspense quanto ao seu aparecimento ao esconder a sua voz durante metade da música, Frank surge em todo o seu esplendor ao longo do resto do álbum, marcando-nos a cada ponto, com músicas mais pessoais como Nights ou como a emotiva Seigfried – Ocean olha para si e faz músicas para o mundo.  Quase sem percussão, ao som da sua bela voz ou das diversas modificações da mesma que por lá aparecem, Frank Ocean assume-se, em Blonde, como provavelmente o melhor escritor de canções do R&B avant-garde.

3 – David Bowie – Blackstar

A derradeira obra de arte de David Bowie, dada a conhecer dois dias antes do seu falecimento. A genialidade presente neste álbum é a mesma com que sempre nos contagiou na sua singular carreira,  tão ela intemporal. Lazarus abriu caminho a este álbum, a belíssima despedida de uma voz que ecoará para sempre nas nossas vidas.

2 – Bon Iver – 22, A Million
5 anos depois do aclamado Bon Iver, Bon Iver, Justin Vernon voltou com 22, a Million, um álbum que quase não viu a luz do dia e que foi composto no meio de tumultos pessoais sobre a fama que a música trouxe a Justin Vernon.
Com sonoridades que estão a milhas de distância do álbum de estreia – For Emma, Forever Ago –22, a Million marca uma viragem já há muito prevista no trabalho de Justin Vernon. Porém, o existencialismo – mais ou menos cru, mais ou menos electrónico – é transversal a todos os trabalhos de Bon Iver e é acima de tudo o que torna este 22, a Million um trabalho tão marcante.

1 – Radiohead – A Moon Shaped Pool

Só por vir da banda que vem, A Moon Shaped Pool seria já um marco na música lançada em 2016. Se Burn the Witch deixava entrever algo com uma sonoridade e tema épicos, o álbum destacou-se por ser precisamente o contrário disso. Com os olhos todos virados para ele, muitos se desmotivaram pelas qualidades introspectivas do álbum.

Aqueles que não o descartaram como “música para adormecer” foram presenteados com uma colecção de canções imersivas, que mantêm uma toada quente e envolvente ao longo de todo o álbum. O principal aqui são as sensações e sentimentos evocados, pois álbuns que olham para dentro como este são incrivelmente pessoais.

No fim de contas, para lá de toda e qualquer análise que se possa fazer a A Moon Shaped Pool, o que importa é aquilo que cada um experiencia ao ouvi-lo. Quer seja sentir o coração bater ao ritmo ameaçador de Ful Stop, sonhar acordado com o crescendo de Daydreaming ou rodear-se da desolação minimalista de True Love Waits, tudo é válido e só demonstra o poder criativo dos Radiohead.

Podem rever a nossa crítica ao álbum aqui.

1-10

 

 

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