Carlos Santana, o ícone do rock latino

19 JULHO, 2017 -

Carlos Santana é um guitarrista norte-americano que, com ascendência mexicana, prima no mundo da música por ser o principal embaixador do latin rock, tendo feito as delícias dos membros da geração Woodstock e transportando consigo um repertório imenso, para além de um legado que inspira os demais músicos dos diversos estilos de rock.

Carlos Alberto Barragán Santana, mais conhecido como Carlos Santana ou somente pelo seu apelido Santana, nasceu então a 20 de julho de 1947 em Autlán de Navarro, no estado mexicano de Jalisco. O seu pai, um músico de mariachi, concedeu-lhe as ferramentas necessárias para que o pequeno Santana se tornasse num apaixonado pela música desde cedo ao aprender a tocar violino com somente cinco anos e guitarra com oito. Foi ao mudar-se para San Francisco, no entanto, e ao contactar com a cultura hippie emergente que se tornou músico a tempo inteiro em 1966.

Entretanto, Santana formou a sua própria banda denominada Santana Blues Bande rapidamente delineou o seu estilo, surgindo este numa mescla de jazz, blues, salsa, ritmos de origem africana e do rock submergido na música latina, tendo sido esta vertente que despoletou este grupo para a ribalta durante os finais da década de 60. O seu primeiro álbum, Santana, rapidamente alcançou um lugar de topo nas tabelas norte-americanas e Bill Graham, promotor de festivais, não hesitou em colocá-los a atuar no mítico festival de Woodstock, em 1969. A atuação da banda foi irrepreensível e catapultou-os para a notoriedade internacional. Todavia, as divergências começaram a sobressair entre os membros da banda, com Carlos a pretender seguir um estilo mais jazzy e de blues mas com o Gregg Rolie, o vocalista principal, a querer enfatizar o hard rock. Apesar de algumas inconsistências no que toca à constituição da banda, Santana continuou a seguir o seu trilho personalizado e irreverente, granjeando e sustentando o prestígio obtido até aos finais dos anos 70 ainda ladeado pela sua banda, seguindo a solo desde então e explorando a espiritualidade devota que caraterizou vários dos seus trabalhos vindouros. Alguns dos trabalhos mais relevantes da sua carreira são:

Santana (1969)
Abraxas (1970)
Santana III (1971)
Caravanserai (1972)
Amigos (1976)
Festival (1977)
Moonflower (1977)
Inner Secrets (1978)
Marathon (1979)
Supernatural (1999)

Influenciado por titãs dos blues como B.B. KingJavier BátizJohn Lee Hooker e por outros guitarristas como Gábor Szabo (fortemente instruído no gipsy jazz que tanto caraterizou o estilo de Carlos) e Jimi HendrixMike Bloomfield ou Peter GreenSantana foi o grande pioneiro do latin rock. O latin rock do naturalizado norte-americano em 1969 carateriza-se pela produção de solos geralmente usados nos blues e sua “latinização” através de uma utilização assídua de instrumentos de percussão inusitados como congas e as “timbales”, amplificando a musicalidade arrastada e amiúde amargurada dos blues mais puros e conferindo-lhe um caráter complementar da alegria e espontaneidade derivado das culturas mais efervescentes como as africanas e as centro-americanas. Importa ressalvar também que Santana, após quase três décadas de êxitos no seu estilo predileto, decidiu apostar numa vertente mais comercial da sua música a partir do início dos anos 90, apesar de não abdicar do âmago do que constituiu o seu repertório até então.

Carlos Santana é, assim, um artista que marcou o panorama da música sem cair em emulações dos seus ídolos e bebendo vários estilos a partir de diversos artistas que marcaram os anos 50 e 60. Com uma posição de vulto no ranking dos melhores guitarristas de todos os tempos da revista Rolling Stone (15º posto), Santana forjou um trajeto inédito na música ao investir numa modalidade nunca antes concebida e ao ser bem-sucedido na mesma, conquistando 10 Grammy Awards, e dando o mote a que muitos outros guitarristas moldassem o seu próprio estilo nos primórdios das suas carreiras. Apesar de serem vários os inspirados pelo trabalho e pelo caminho optado por Santana, poucos foram os que ousaram arriscar ao seguir na pisada do guitarrista latino, reconhecendo o seu génio e não querendo manchar o que bem feito está. Tal como num museu, os seus predecessores limitam-se a contemplar Carlos Santana com um misto de admiração e de inspiração, sem, no entanto, atrever-se a tocar na obra-prima realizada.

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