Carl Rogers, o psicólogo do humano

13 SETEMBRO, 2017 -

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Carl Rogers é o nome que vem à tona quando se fala de uma psicologia que salta do laboratório e dos estudos, e que se centra na pessoa e no trabalho com esta. Não obstante, tornou-se um dos principais investigadores no âmbito da psicoterapia, e foi devidamente homenageado no meio de trabalho em que atuou. A sua influência não se limitou ao mero exercício da psicologia, conhecendo flores das suas raízes no próprio trabalho com as organizações, com os órgãos de consultoria e assessoria, e com dinâmicas grupais. Todo o extenso repertório que constituiu, tanto no plano da ação, como no da redação, levou a que a psicologia conhecesse uma faceta crescente de humanização, rompendo com o preconceito no expoente máximo da prática do seu conceito.

Carl Ransom Rogers nasceu no dia 8 de janeiro de 1902, num subúrbio de Chicago, dos Estados Unidos, no seio de uma família cristã, e onde o pai exercia engenharia civil. Quarto de seis filhos, tornou-se um leitor fluente antes de entrar no infantário, e seguiu uma educação bastante religiosa, ajudando nas missões eucarísticas. De caraterísticas isoladas, independentes e disciplinadas, foi com facilidade que incorporou o método científico, tanto para os seus interesses, como para as práticas habituais e quotidianas. A sua primeira escolha universitária foi agricultura, estudando-a no estado de Wisconsin. No entanto, aos 20 anos, uma viagem para a China, para uma conferência internacional de cristianismo, começou a duvidar das suas crenças, e, após um seminário, decidiu alterar o seu percurso. Esse rumo seria confirmado após, aos 26 anos, sair do seminário onde estava, que frequentou dois anos, logo depois de finalizar o seu curso.

Com novas e ateístas convicções, frequentou o Teachers College, na reputada universidade de Columbia, no estado do Ohio, onde se fez mestre (1928) e doutor (1931). Foi neste período que se tornou particularmente curioso pelo processo de crescimento infantil e juvenil, pelo que foi diretor da Society for the Prevention of Cruelty to Children, sediada em Nova Iorque. Entre 1935 e 1940, tornou-se docente na University of Rochester, para além de redigir, com base na sua experiência com crianças problemáticas, “The Clinical Treatment of the Problem Child” (1939). A sua abordagem tornar-se-ia a sucessão de uma herança deixada pelo psicanalista austríaco Otto Rank, que construía as suas análises e diagnósticos a partir, única e exclusivamente, do seu paciente. Ao estabelecer uma relação com um terapeuta próximo e recetivo às diversas manifestações e confissões do primeiro, as dificuldades seriam resolvidas, por existir a base identitária necessária para a reestruturação da vida do paciente. Em 1945, organizaria um centro de acompanhamento para a Universidade de Chicago, onde lecionaria até 1957, organizando estudos para conferir a eficácia dos seus métodos. Em 1947, com um repertório que falava por si, foi eleito presidente da American Psychological Association (APA). A sua literatura ampliar-se-ia com “Client-Centered Therapy” (1951), e “Psychotherapy and Personality Change” (1954).

“In my early professional years I was asking the question: How can I treat, or cure, or change this person? Now I would phrase the question in this way: How can I provide a relationship which this person may use for his own personal growth?”

Carl Rogers

A segunda metade da década de 50 trá-lo-ia mais uma incumbência, sendo presidente da American Academy of Psychotherapists, para além de dar aulas na universidade de Wisconsin. Os dez anos que se seguiriam arrancariam com uma das principais obras do seu cunho, de título “On Becoming a Person” (1961), que desencadeou, ao lado do também psicólogo Abraham Maslow, a criação da psicologia humanista. Contrariando a visão pessimista e especulativa da psicanálise, esta nova perspetiva propunha-se a reforçar o autoconhecimento e a autoestima, levando o próprio paciente a cumprir com os seus sonhos e objetivos na superação dos obstáculos que o levam a restringir e a submergir nas suas dificuldades. Membro da American Academy of Arts and Sciences, começou a sentir-se incomodado com a crescente perseguição Macarthista, que procurava descortinar indivíduos com ligações comunistas. Através de artigos seus, apontou críticas à sociedade por procurar desvendar essas afiliações, irrelevantes para a aferição do valor e da pertinência do seu trabalho. Em 1963, mudou-se para a Califórnia, onde se tornou residente no Western Behavioral Sciences Institute (WBSI), saindo deste, cinco anos depois, para ajudar a fundação do Center for Studies of the Person.

No decurso destas duas últimas décadas da sua vida, tanto os anos 70 e 80 trariam mais literatura, com “Carl Rogers on Personal Power” (1977), e “Freedom to Learn for the 80’s” (1983). Vivendo em La Jolla, na Califórnia, permaneceu a fazer palestras e a redigir, mesmo após deixar de lecionar. Seriam anos de experimentação, pois tentava aplicar as suas teorias a situações de conflitos nacionais e de opressões políticas. Exemplos destas são os litígios entre protestantes e católicos em Belfast, capital da Irlanda do Norte; o apartheid sul-africano, a transição da ditadura para a democracia no Brasil, e os consumidores e fornecedores no setor da saúde norte-americano. A sua última viagem dar-se-ia com Rogers com 85 anos, até à União Soviética, onde organizou workshops experimentais e intensivos de estímulo à criatividade e à comunicação, e onde se surpreendeu com a quantidade de gente familiarizada com o seu trabalho. No ano de 1987, cairia e fraturaria a pélvis, mas seria após ser operado, na noite seguinte, que o seu pâncreas o viria a trair, e partiu. Decorria o dia 4 de fevereiro desse ano.

O corpo concetual criado por Rogers, centrado no eu, enquadra-se nas perspetivas fenomenológica, existencial, e humanista, baseando-se no “phenomenal field” proposto por Donald Snygg e Arthur W. Combs. Este prisma trata-se da realidade subjetiva que cada um engloba nas suas perceções diárias, para além das experiências vividas, dos valores, e dos objetos com os quais estas foram vividas. Com uma dezena e meia de livros, o psicólogo tornou-se numa figura proeminente na evolução empírica da psicoterapia, fortemente sustentada na terapia conduzida de forma humana, mas sem esquecer a importância do rigor científico para a aferição das necessidades de terapia.

Os eixos de toda a sua teoria são baseados nas (dezanove) proposições norteadoras do pensamento completo e sistémico de Rogers, a saber: todos vivem num mundo em constante mutação de experiências, estando todos esses organismos no centro, que reagem ao ambiente em que estão inseridos e em que percecionam o mundo. As reações, de forma organizada, são despoletadas e a base de uma realidade única e subjetiva para cada um, dependendo das perceções diferenciadas, e da própria evolução ambiental e comunicacional. A subjetividade conduz à construção da estruturação do eu, um grupo agregado e consistente de caraterísticas, relações, valores e de conceitos subjacentes. Todos os organismos têm, em si, a tendência de se atualizar e de ser reforçar, e avaliam os comportamentos dos outros a partir das suas próprias estruturas ou padrões. O comportamento é a tentativa de satisfazer as necessidades existentes, podendo ser acompanhado de emoções que representem o significado das mesmas mexidas, e estando, a si, inerente, o ajustamento à estrutura existente. Nem sempre existe um controlo daquilo que são os comportamentos, pois podem advir de tendências orgânicas, tendências essas de indevido julgamento, pois todos os organismos as têm.

“The curious paradox is that when I accept myself just as I am, then I can change.”

Carl Rogers, in “On Becoming a Person: A Therapist’s View of Psychotherapy” (1961)

Às experiências, acrescem-se os valores, que podem ser experienciados direta ou indiretamente, reforçando-se com as próprias atribuições de importância a essas experiências, que podem ser simbolizadas e incorporadas, ignoradas ou distorcidas (depende da estruturação do eu). O ajustamento natural psicológico surge quando todas as experiências sensoriais e viscerais assumem um papel simbólico e consistente na relação com o eu; e o seu oposto quando se omitem esse tipo de eventualidades, podendo gerar tensões psicológicas. A inconsistência da experiência em relação à estrutura pré-assumida pelo ser leva a que as ameaças surjam, complementando as tensões anteriormente enunciadas, e, quanto mais surgirem, mais rígido e inflexível se torna aquilo que são as referências estruturais do eu. Em períodos nos quais não existem as ameaças, as experiências inconsistentes podem-se tornar passíveis de assimilação e de inclusão das mesmas, para além de outras sensoriais e viscerais do exterior. Aqui, presencia-se um estádio de maior compreensão e de abertura em relação ao próximo e ao exterior. No entanto, quanto mais experiências de cariz orgânico forem aceites na estruturação do eu, mais o sistema de valores pré-existente se torna alterado e distorcido, do ponto de vista simbólico, tornando-se mais dado e referenciado nesse tipo de circunstâncias.

No campo do desenvolvimento da personalidade, o norte-americano apontou alguns conceitos-chave para este processo, incidindo, principalmente, no desenvolvimento de um conceito próprio, e do progresso de um indiferenciado até a um totalmente distinto dos demais. Como conceito próprio, trata-se de uma gestalt (forma de perceção da realidade) organizada e consistente, que é constituída por perceções de caraterísticas próprias e pelos valores inerentes. Fluído e mutável, é, muitas das vezes, nomeado como um processo, mas que assume as formas de uma entidade específica. No desenvolvimento do conceito, percecionou considerações positivas condicionais e incondicionais, dependendo do contexto e das oportunidades existentes. Estas surgem como tónicos para a atualização interior, e para a perceção de uma realidade que, sendo a sua, permite a cada um o reforço e a internalização de toda a sua entidade individualizada.

O seu trabalho e os métodos da sua iniciativa seriam percorridos e estendidos pelos seus pupilos Thomas Gordon (criador do Parent Effectiveness Training), e Eugene T. Gendlin (apresentou a prática do “Focusing” no trabalho psicoterapeuta). Entre outros, também a sua filha Natalie Rogers, e os nomes de Maureen O’Hara, John K. Wood, e Maria Bowen, que propiciariam o crescimento e a difusão internacional, ao lado de Carl, de sessões desta Person-Centered Approach. Os valores de crescimento pessoal, de auto-capacitação, de sensibilização para a mudança social, e de comunicações multiculturais tornaram-se cruciais e fundamentais na afirmação e na consolidação deste legado teórico-prático.

Na ótica de um organismo totalmente desenvolvido, que viva uma vida plena e totalizante, são vários os preceitos que estão inerentes a este estádio: uma crescente abertura para novas experiências, livrando-se de defesas e de reações que obstem ao seu usufruto; um estilo de vida cada vez mais estóico e existencialmente, vivendo todo e qualquer momento da forma mais recetiva e entusiasmante; maior confiança nos organismos próximos, abdicando de normas e códigos vários, e privilegiando o valor moral e sensitivo amadurecido com o tempo; liberdade de escolha durante as diferentes experiências vividas, personalizando o seu comportamento e assumindo responsabilidades com toda a integridade; a existência da criatividade como capaz de cortar com conformismos e restrições; e fiabilidade na sustentabilidade das ações e dos pensamentos, equilibrando entre necessidades e vontade. No fundo, uma vida repleta e rica, experienciada ao máximo, e sentindo todas as sensações ao máximo, tanto amor e dor, como coragem e ira, com uma orientação de crescimento muito estimulada e potencializada.

No seu reverso, um organismo cuja sociedade não está sintonizada com as tendências de mudança e de atualização, cai numa realidade onde se pode, somente, criar um ser ideal. Rogers sugere-o como algo irreal, fora do alcance, e que contrasta com o ser real. Assim, nasce, na antítese entre ambos, a incongruência do ser. Este conceito, para além do seu antónimo congruência, são pilares da sua análise humana. Um indivíduo congruente com os seus seres, concretizando o seu potencial de vida, vive uma vida autêntica e genuína, desvinculado de quaisquer considerações internas e eternas. Pelo contrário, um incongruente vive na falsidade, em constante sub-rendimento, limitado por condições que o levam a não ser aquilo que, na realidade e na profunda idealização, é em essência. Constantemente à defesa, o ser incongruente revela-se fechado para as experiências que surgem, e centram-se na autodefesa daquilo que é o seu ser. Por não viverem em verdade consigo mesmos, despoletam-se dois mecanismos, que são a distorção (um indivíduo vê uma ameaça ao seu conceito próprio), e a recusa, que se segue à própria distorção da situação proposta. Um mecanismo defensivo acaba por reduzir a consciencialização plena e racional da ameaça, mesmo não diminuindo o impacto desta. O conceito próprio torna-se mais difícil de se desdobrar e, consoante mais rígido e preso, as debilidades da sua incongruência vêm à tona, levando a estados neuróticos, de grande perigo e vulnerabilidade. Se a situação piora, a personalidade desorganiza-se e processa-se através de um comportamento irracional e descontrolado, que, em etapas limite, podem levar à perceção da sua inconsistência interior.

Todo este corpo teórico e conceptual passou à prática através de vários canais efetivos e com resultados comprovados. O primeiro deles foi a terapia centrada na pessoa, no humano no qual incide o foco do estudo e dessa terapia. Considerada por Rogers como imperativa no seu sistema de trabalho, aplicou-a a vários contextos para além do meramente terapêutico, como, por exemplo, o militar no pós-Guerra, na década de 40. Passível de globalizar e incluir toda a realidade em si mesmo, o método visa essa centralização humana, e envolve o estudo da personalidade, a sua educação, os eventuais cuidados médicos e morais, e as relações interpessoais e interculturais. O primeiro caso prático onde a abordagem colheu os seus frutos foi apresentado pela universidade de Ohio, por intermédio do seu contemporâneo psicólogo Elias Porter. Usando um sistema de medição do grau de focalização humana por parte de um conselheiro pessoal, permitiu a este evoluir no seu próprio trabalho, e apoiar, com mais rigor e qualidade, as decisões empreendidas pelo(s) seu(s) cliente(s).

O ensino também incluiu grandes influências do processo do norte-americano, num incentivo à liberdade de educação e de aprendizagem. As linhas de orientação deste processo de docência centrada no aprendiz, em muito similar à acima apontada, são as que se seguem: não há um ensino direto, mas sim uma facilitação e um incentivo para que a aprendizagem se proporcione. Isto alimenta-se da premissa de que todos dependem do seu próprio mundo empírico, que se encontra em constante mutação, para que se dê a sua aprendizagem especializada. É o comportamento do estudante que salta à vista, naquilo que sente, que perceciona, que experiencia, e que assimila do que viveu. À imagem da teoria da personalidade, de muito vale perceber todos os bastidores daquele que aprende, no sentido de perceber de que forma é que se instrui, e de como usar as suas peculiaridades nesse processo de aprendizagem. Essas experiências vividas permitem que se conheça com maior facilidade, onde se envolve a própria atividade da estruturação do eu. Dessa feita, incluir o papel daquilo que modelou a construção das estruturas mentais e emocionais de cada um é determinante, podendo acarretar uma mudança da própria organização interna. Como tal, e para não gerar desequilíbrios ou frustrações, importa fomentar o espírito de abertura para saber mais sobre o diferente, nunca esquecendo a relevância daquilo que se dá a saber. Perante o espectro dessas frustrações e ameaças, a docência tem a importante função de ajudar e de compreender, adaptando-se e moldando-se ao estudante, explorando conceitos do seu interesse, e contribuindo para a existência de um ambiente confraternizador e descomprimido. Construir uma plataforma onde o aluno se sente pleno é uma ferramenta importante para que se propicie esse contexto, mais recetivo e propenso à aprendizagem. É esta a grande missão do professor, capaz de se envolver numa dinâmica de partilha viva e integrada, interativa e íntima dos seus aprendizes.

No plano das relações interpessoais, existiram dois planos em que incidiu o trabalho investigativo de Rogers. O primeiro deles consistiu numa revisão da estrutura retórica aristotélica. Tendo em vista resolver um impasse comunicativo entre as partes envolvidas no ato comunicacional, o objetivo passa por cada um dos lados reafirmar a posição do seu oposto, granjeando a sua satisfação. No entanto, isto não se trata de confirmar ou de concordar com a mesma, mas somente reconhecer a perspetiva do outro, permitindo, a partir disto, legitimar e descomprometer a existência dessa opinião. Tudo para conseguir apalpar terreno partilhado por ambos, diminuindo a tensão subjacente a esse desacordo.

Já no que concerne às relações interculturais, foram vários os workshops realizados pelo próprio psicólogo, e por alguns dos seus estudantes, em especial em conjunturas delicadas, tais como em países na América Central e em África. Em Itália, fundou, ao lado de Alberto Zucconi e de Charles Devonshire, o Istituto dell’Approccio Centrato sulla Persona. Para além disso, na Áustria, no Rust Peace Workshop (1985), reuniu líderes de quase duas dezenas de países, representando-se somente a si mesmos, para, num evento privado, discutir as suas experiências pessoais e formar laços alheios à atividade política. Aqui, o psicoterapeuta apontou-a como implícita na sua abordagem à terapia, conferindo-lhe uma perspetiva muito idêntica à da personalidade e à do ensino, e como condicionante do ambiente de cada um. Assim, propôs remodelar o seu modelo combativo e dissonante para um crescente diálogo interpartidário, assente em respeito e em autenticidade, onde se pudesse gerar empatias sem se olhar para o rótulo ideológico. Numa dinâmica de compreensão e de sensibilização, as soluções aceitáveis surgiriam naturalmente e reunindo maiores consensos. O enfoque dirige-se para o indivíduo que pensa, propõe e expõe as suas ideias. Rogers tentou estimular este modelo em várias iniciativas, onde reuniu políticos, ativistas e líderes de associações sociais. O seu legado, nesta matéria, permanece nos dias de hoje, nas diferentes discussões mais ou menos formais sobre matérias de interesse público, a partir das bases supramencionadas.

Carl Rogers tornou-se um dos mais notáveis e consideráveis psicólogos do século XX, um dos principais baluartes da progressão e difusão da psicoterapia para um manancial de áreas outrora desvinculadas da psicologia. Neste capítulo renovado, afirmou-se como um humanista, apontando para a terapia da pessoa, de forma personalizada e menos presa aos suportes da ciência. A sua literatura foi-se ampliando, assim como as viagens e o reconhecimento fora de portas norte-americanas, levando a psicologia a perder os rótulos de pseudociência e de hermetismo. Mais do que qualquer outra coisa, as atenções passaram e redobraram-se no fator humano, naquele que mais inspira e sintoniza a psicologia, na tentativa de ajudar o próximo. Tudo isto na mais consagrada e inspirada simbiose de ciência e humanidade, fruto de uma projeção mais sorridente de realidade.

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