Capitão Fausto preparam alinhamento de especial para concerto no Coliseu de Lisboa

15 DEZEMBRO, 2016 -

Os Capitão Fausto atuam na próxima semana, no Coliseu de Lisboa, uma sala para a qual preparam um concerto especial, o último de 2016, enquanto agendam uma digressão por auditórios nacionais.

O concerto está marcado para o dia 22, nas vésperas do natal, e por estes dias o grupo passa grande parte do tempo no estúdio e sala de ensaio, em Lisboa, que tem estado a construir aos poucos, e onde já gravou o último álbum, ‘Capitão Fausto têm os dias contados‘.

Numa pausa nos ensaios, Tomás Wallenstein (vocalista) e Francisco Ferreira (teclista) contaram à agência Lusa que, neste concerto, o grupo estará acompanhado de outros nove músicos, de modo a aproximar as canções ao vivo do que foi gravado em estúdio.

Capitão Fausto têm os dias contados‘, o terceiro álbum, saiu na primavera e é descrito pelo grupo como o mais melódico e complexo, com mais harmonias vocais e a entrada de instrumentos de cordas acústicos e de sopro.

Durante os últimos meses, o grupo deu vários concertos pelo país, de salas pequenas a festivais – do Rock in Rio a Paredes de Coura – com as canções novas despidas dos arranjos iniciais, fixas nos cinco músicos fundadores.

Agora, no Coliseu, os Capitão Fausto levarão contrabaixo, trompa, trompete, clarinete, conga e maracas, como elencou Tomás Wallenstein, e arranjos reescritos, mais fiéis ao disco.

O último álbum deverá ter mais destaque no alinhamento, mas está prometida uma “dose homeopática” de novos arranjos para temas dos discos anteriores, ‘Gazela‘ (2011) e ‘Pesar o sol‘ (2014).

Francisco Ferreira explicou que o palco estará montado na plateia, numa ilha rodeada de público e onde os músicos estarão virados uns para os outros. “É como ensaiamos, a olhar uns para os outros. Nesse caso vai ser mais parecido com o ensaio“, rematou Tomás Wallenstein.

Para ambos, a expectativa de tocar no Coliseu dos Recreios é sobretudo pelo que estão a preparar e não pelo peso dos 126 anos desta sala: “O que está a ser mesmo especial é a parte do cenário, a disposição do palco, os arranjos, a massa sonora. Isso é tudo mais especial. O coliseu é que proporciona isso ser especial. É um ponto da nossa carreira“.

Este é um concerto que fecha a agenda de 2016 dos Capitão Fausto e, para breve, será anunciada uma digressão por auditórios e teatros.

Foi um ano em cheio. Conseguimos lançar um disco, tocar em imensos bares, em imensos festivais, conseguimos fazer um ou outro ‘fora do baralho’. Não parámos quietos, estamos muito contentes“, disse Francisco Ferreira.

Para 2017, estão a ser preparados também os primeiros lançamentos editoriais de artistas portugueses pela editora Cuca Monga, que fundaram.

Durante alguns anos experimentámos o que era fazer editora e como funcionava, com as nossas coisas. Modernos, Bispo, El Salvador – no fundo eramos sempre nós. Queríamos saber como é que se marca concertos, como se faz promoção. Não é um negócio, é uma coisa para fazer acontecer coisas“, disse Tomás Wallenstein.

Os Capitão Fausto integram ainda os músicos Domingos Coimbra (baixo), Manuel Palha (guitarra e teclados) e Salvador Seabra (bateria).

Por fim, podes ler o texto de apresentação do concerto, assinado pelo baixista Domingos Coimbra:

Fui abençoado, não sei se pela fortuna das circunstâncias ou por uma mão-invisível, por ter encontrado no Tomás, no Salvador, no Manuel e no Francisco a força que me fez superar o meu início de adolescência complicado com a morte da minha mãe.

Na realidade, foi mais do que isso. Mais do que encontrar uma força que não tinha, que na verdade só anos mais tarde me apercebi disso, encontrei uma razão de ser, que eventualmente todos encontramos com mais ou menos clarividência ou imediatismo.

Encontrei-a cedo. Chamemos-lhe uma razão de ser repartida. Por um lado já em miúdo decidi que queria fazer música e viver para isso, e por outro que só a faria se fosse com eles. É que para mim Capitão Fausto é mais sobre a força da amizade que nos une desde miúdos e não o facto de sermos uma banda. Um gangue. A cada dia que passa não sei se estou mais grato por estarmos a crescer como banda ou como amigos. E no bom que é, passados já vários anos, continuar a crescer uma amizade e eu a crescer com eles. Mas sobre bandas que crescem ou estão muito contentes pelos feitos que alcançam já todos vocês conhecem a lenga-lenga do obrigado e do auto-elogio humilde.

Quando soube que íamos tocar ao Coliseu, uma sala tão bonita e importante para as bandas Portuguesas, a minha primeira reacção foi pensar neles. Não na banda, não no futuro, neles. Há aqui um certo egoísmo da minha parte. No limite interessa-me mais a partilha deste momento com eles, no facto de ser mais uma história para acrescentar às nossas vidas. Um concerto, um disco, um festival, tudo são marcos que as bandas vão alcançando. O curioso é que todos nós temos a plena consciência da importância destes passos e de todo o trabalho que isso implicou e ainda implica. Muitas vezes dizem que não exteriorizamos isso e que devíamos ser mais efusivos a celebrar conquistas. Aquilo que me inspira neles os quatro é eu saber que eles sentem a felicidade das conquistas mas são sempre incrivelmente pragmáticos e directos ao assunto: “Boa, vamos ao próximo”. São pouco pavões no fundo. Já eu não sou pavão mas sou mais lamechas do que eles.

E por isso estaria a enganar-me se não reconhecesse que este é também um momento de partilha. Com o nosso crescimento acredito que houve uma geração que cresceu connosco. Os músicos às vezes demoram meses a fazer canções e quem as ouve fá-lo em minutos, assim de vez em quando. Há uma assimetria de informação. Todas as bandas dão uma importância muito maior aqueles minutos porque sabem tudo o que eles implicam. Quem ouve apenas gosta ou não gosta. Às vezes de uma forma terrivelmente, ou maravilhosamente, simples. É quase impossível agarrarem-se a elas como nós. Felizmente, desde 2011, muita gente se agarrou mais do que a esses minutos e de uma maneira ou de outra identificou-se com aquilo que fazemos e directa ou indirectamente cresceu connosco a ouvir a nossa música. Uma companhia. Ainda hoje vejo muitas caras conhecidas que já havia visto nas alturas do Gazela e do Pesar o Sol e a cada concerto reconheço caras antigas e outras novas já com lugar cativo. No fundo estamos todos a crescer e embora nunca ninguém consiga dar a importância que nós, egoístas, damos às nossas canções, a verdade é que muita gente se aproximou mais delas do que alguma vez imaginámos. E isso deve ser celebrado. Podemos chamar a este concerto no Coliseu de isso mesmo: Uma celebração.

Um obrigado a quem tem crescido connosco, um obrigado a quem nos ajudou a crescer, e da minha parte, um obrigado ao Tomás, ao Manuel, ao Salvador e ao Francisco por fazerem de mim um gajo feliz e completo, com ou sem Coliseu.

capitao-fausto

Texto de Lusa e CCA

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