Canábis: EUA e Canadá no grupo dos parcialmente seduzidos

6 SETEMBRO, 2017 -

Canadianos são exemplo no mercado farmacêutico, americanos começam a abrir-se ao uso recreativo. Na Coreia do Norte o estatuto é nebuloso

Nem duas semanas tinham decorrido do primeiro dia do passado mês de julho – data de início da comercialização de marijuana no território – e já o estado norte-americano do Nevada anunciava medidas extraordinárias para combater a escassez do produto. Com 1 milhão do total de 3 milhões de dólares (cerca de 2,5 milhões de euros) gerados apenas nos primeiros quatro dias de negócio, a entrar diretamente para os cofres do estado, o departamento fiscal do Nevada dava liberdade quase total a todos representantes políticos locais para adotarem medidas de emergência para lidar com o assunto.

As eleições presidenciais de novembro de 2016 serviram igualmente para o Nevada e outros três estados norte-americanos se pronunciarem sobre a legalização da canábis para uso recreativo e juntarem-se, assim, a outros cinco estados dos EUA – aos quais se soma o distrito de Columbia – onde tal é permitido, sem que se incorra num crime federal.

No total são 29 as entidades estatais norte-americanas que, entre fins medicinais e recreativos, incluem nos seus quadros jurídicos um determinado tipo legalização de compra e venda de marijuana e que, ao que tudo indica, estão cada vez mais abertas à liberalização total e aos milhões de dólares que a indústria faz mover.

No Canadá, a aposta ainda passa pelo consumo exclusivo da canábis para fins medicinais. Nesta matéria, aliás, não existe melhor que o vizinho do norte dos EUA, que construiu, nas últimas décadas, uma das mais sofisticadas estruturas a nível mundial, para fazer chegar a solícita planta às 167 mil pessoas, com doenças crónicas, que dela dependeram, em 2016. Num artigo de opinião, o CEO da Privateer Holdings, uma conhecida empresa do setor, defendeu a abertura do Canadá à exportação do cânhamo e ao aproveitamento da estrutura de produção já existente, para “transformar o país num líder da canábis medicinal”.

Outros casos como o holandês, o chileno ou o indiano, incluem a legalização de determinadas práticas relacionados com a canábis, realidade que não se aplica à solitária Coreia do Norte. Durante anos apontado como um “paraíso para fumadores de erva”, o país não tem propriamente um estatuto definido, mas não é adepto da legalização. Uma investigação recente da Associated Press pôs fim ao mito, pese às dificuldades das autoridades em apontar a moldura penal para quem incorre num crime relacionado com canábis.

Artigo escrito por António Saraiva Lima / Parceria jornal i

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