Bruno dos Reis: ‘O GrETUA tem crescido de forma sustentada, quer a nível técnico quer a nível humano’

29 SETEMBRO, 2017 -

GrETUA (Grupo Experimental de Teatro da Universidade de Aveiro) abriu finalmente as candidaturas para o seu curso de formação teatral 2017/2018. A sessão de esclarecimento é de entrada grátis e vai ocorrer 2ª-feira dia 2 de Outubro. As inscrições fecharão imediatamente no dia seguinte e podem ser feitas digitalmente através deste link.

O Curso terá a duração de 3 meses com conteúdos formativos e cerca de 2 meses de criação até à apresentação do espectáculo final.
À semelhança do curso organizado em 2015/2016 que resultou no espectáculo “CAIS” o GrETUA apresenta um leque variado de formadores e vários módulos a serem leccionados.

Os formadores convidados, desta feita, são Nuno M Cardoso (que leccionará História do Teatro Contemporâneo); Liliana Garcia (a cargo com o módulo de Movimento); e Rui Paixão (formador de Clown), que se juntarão a caras mais conhecidas da casa (os irmãos Reis, Teresa Queirós e João Tarrafa).

Tivemos o privilégio de falar com o coordenador do curso, Bruno dos Reis, e de lhe fazer algumas questões relativas ao mesmo.

O GrETUA continua a apostar forte na formação e é uma surpresa que todos os anos surpreenda com novas (e tão boas) caras nos seus quadros, tem sido uma aposta ganha?

Eu julgo que os resultados têm falado (às vezes demais) por si. O GrETUA tem crescido de forma sustentada, quer a nível técnico quer a nível humano. O nosso desejo é que o GrETUA possa ser para os jovens de hoje aquilo que foi para muita gente, durante quase 40 anos, mas sobretudo aquilo que não soube (ou não conseguia ainda) ser.
Se eu tivesse tido formação em História do Teatro Contemporâneo, há quinze anos atrás, talvez não tivesse andado enganado durante tanto tempo sobre o meu lugar, enquanto criador, em tudo isto. Há cerca de um ano e meio, na criação do prévio Curso de Formação Teatral, um douto Senhor da área perguntou-me porque é que eu tinha decidido incluir módulos teóricos, que “a malta quer é macacada”. Acho que isso diz tudo sobre o marasmo criativo e cultural em que a cidade de Aveiro se deixou cair.
Nesse aspecto, há muitas lacunas no tecido cultural de Aveiro que o GrETUA tem tentado suprir. Os jovens que se iniciam no Teatro através de escolas que funcionam em regime de tempos-livres (e que a mais não são obrigadas, naturalmente) não têm um segundo patamar que possam ambicionar antes de chegarem ao ensino superior, se caso disso.
Depois, há uma pressão que colocamos a nós próprios de que o nosso espaço seja uma plataforma de criação que não se transforme no monstro endofágico do costume, que é o que tem acontecido com frequência na cidade. Porque não há dinâmicas criadas de acolhimento de artistas que possam formar e influenciar os criadores residentes, tem havido um estagnamento cada vez maior no que é produzido com o selo da cidade.
É por isso que temos desenvolvido tantos esforços na tentativa de convidar formadores externos, não só indubitavelmente mais capazes do que nós, mas portadores de uma visão e uma formação distinta.
É algo que levará o seu tempo (talvez tempo demais), mas que a curto prazo nos vai enchendo de orgulho pelos pequenos frutos que vamos colhendo. Os nossos cursos (não apenas os de formação teatral, mas o de dramaturgia e guionismo, em exemplo) têm enchido com cada vez mais facilidade e os resultados têm sido cada vez mais positivos.
Se o nosso objectivo foi, desde início, iniciar formandos amadores, a verdade é que cada vez mais aparece gente licenciada na área que quer trabalhar connosco ou aprender com os formadores que temos convidado. É um luxo não só para nós mas para os outros formandos também.

Qual é o processo da selecção dos candidatos?

Tortura: em todos os sentidos. Se por um lado esta coisa de selecção de candidatos (assim como os castings) são sempre penosos tanto para os candidatos como para o “júri”, por outro é a isso que apontamos mesmo, a capacidade de se ser torturado. Essencialmente, quanto mais disponibilidade e motivação demonstrarem os candidatos, mais sobem na lista. Depois há certas coisas a que prestaremos atenção, obviamente: além de experiência prévia (que valorizamos bastante) somos uma estrutura universitária, pelo que os estudantes universitários beneficiarão sempre de alguma primazia em relação a outros candidatos.
Portanto, tortura, o processo é uma tortura.

Bolsa de mérito, uma novidade?

Apesar do curso ser praticamente oferecido, dado os valores que estamos a praticar e os formadores que estamos a oferecer (se não estou em erro, e sem contar sequer com os dois meses de criação, os alunos que pagam o valor mais caro estarão a pagar 2,7€ por hora de formação), compreendemos que haja quem não consiga, de facto, pagar 40 ou 50€ por mês.
Infelizmente, não podemos baixar ainda mais os preços que estamos a fazer, mas julgamos ser uma obrigação nossa ajudar quem de facto mais necessita. Nesse sentido, temos três bolsas (pequeníssimas) no valor de 40€ que serão atribuídas após uma entrevista e um pequeno casting.

O que é que os formandos podem esperar do Curso?

Uma sorte que eu nunca tive.

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