BoCA, a Bienal de Arte Contemporânea, chega a Portugal em Março

7 FEVEREIRO, 2017 -

A BoCA – Biennial of Contemporary Arts está prestes a ter início em Lisboa e no Porto trazendo consigo uma excelente e diversificada programação, com cruzamentos entre as artes visuais e as artes performativas. A sua apresentação teve lugar no Teatro D. Maria II, em Lisboa, no passado dia 6 de fevereiro, onde ficámos a conhecer os artistas e projetos que darão corpo a este evento.

Durante a apresentação, decorreu a performance Shirtlogie (1977) de Jérôme Bel, que estará também presente como vídeo instalação na bienal, e que já teria sido apresentada em Portugal há 20 anos atrás. Ao mesmo tempo, o Diretor Artístico John Romão, falou-nos da importância da arte contemporânea para a sociedade atual, e a necessidade de a aproximar ao público, pretendendo assim criar “movimentos de públicos” entre as 38 instituições em Lisboa e no Porto, que a partir de 17 de março irão acolher, performances, instalações, concertos, e inovadores projetos, alguns em estreia na BoCA. Foram assim criadas obras, de artistas nacionais e internacionais, propositadamente para este evento, para as quais os artistas foram desafiados a saírem dos seus contextos habituais experimentando com novas práticas. Surgem assim por exemplo, os primeiros projetos teatrais de Salomé Lamas e de Vhils. A cineasta, artista residente da BoCA, apresentará a paródia política Fantamorgana, nos próximos dias 12 e 13 de abril, no Pequeno Auditório do CCB. Por sua vez Alexandre Farto, aka Vhils, realizará uma “sinergia entre as artes visuais, a música e a dança” em palco, refletindo um conceito que lhe é próximo, a evolução da cultura urbana.

A BoCA conta com mais três artistas residentes, a dupla Musa paradisiaca, François Chaignaud e Tania Bruguera. A dupla nacional formada por Eduardo Guerra e Miguel Ferrão em 2010, irá apresentar Casa Animal, uma instalação temporária para o espaço público. O “edifício desmontável, viajante e nómada” pode ser reconstruído quantas vezes se quiser, e pode também “albergar o que se quiser alojar”. Desta forma vários artistas poderão submeter projetos através de uma open call, que será lançada brevemente, e ocupar esta casa, que nas palavras de Eduardo Guerra será “algo entre a manjedoura e a capela”. Casa Animal, irá circular entre vários espaços, como os jardins do Palácio Marquês de Pombal, e do Palácio dos Coruchéus, com a possibilidade de passar por mais espaços. O coreógrafo e bailarino francês, François Chaignaud, irá colaborar com Marie-Pierre Brébant em Hildegarde, numa performance que terá lugar no Teatro de São Carlos. Já a artista cubana Tania Bruguera, cujo trabalho se liga a questões políticas globais, e que se “candidatou à presidência de Cuba em 2018, como parte do seu trabalho artístico” segundo John Romão, levará a peça Fim de Partida, de Samuel Beckett, ao Mosteiro de São Bento da Vitória.

De 17 de Março a 30 de abril, será possível encontrar diversos projetos inovadores, em instituições do Porto e de Lisboa, que irão desta forma receber novos públicos. A variada programação leva, por exemplo a performance Nowhere, aos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, na qual o pianista Marino Formenti viverá e tocará de manhã à noite, durante 20 dias, na “casa” projetada pelo artista Ricardo Jacinto. No Museu dos Coches, decorrerá o Campeonato Internacional de Fingerboard e nas fachadas Casa da Música serão projetados os vídeos que compõem o Museum of Skateboarding de Kirill Savchenkov. E em ambas as cidades poderemos encontrar 10 pen drives cimentadas em edifícios, à espera de serem descobertas, pertencentes ao projeto Dead Rops de Aram Bartholl, que visa criar uma rede de partilha de informação acessível a qualquer pessoa.

Paralelamente, haverá também uma programação musical, no Lux Frágil e na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, onde passarão nomes emergentes da música eletrónica como Van Ayres e Yves Tumor. Decorrerão também conferências e conversas com os artistas, Rui Horta, Tânia Bruguera, Salomé Lamas e Musa Paradisíaca nas Faculdades de Belas Artes de Lisboa e do Porto e uma conversa debate sobre a emergência de festas alternativas, que contará com representantes das organizações Rabitt Hole e Thug Unicorn.

Mas a BoCA não ficará somente por Lisboa e pelo Porto, expandindo-se, ao longo do ano, a outras cidades do país e às suas instituições, como o Fórum Eugénio de Almeida em Évora, o Museu de Faro ou Theatro Circo em Braga.

Texto de Joana Leão

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