Bertolucci revela que cena de violação, em ‘Last Tango in Paris’, ‘Não foi consentida’

3 DEZEMBRO, 2016 -

Muita polémica foi aquela que se criou em torno de uma cena de violação que envolveu Marlon Brando e Maria Schneider. O filme foi “Last Tango in Paris” (1972) e o seu realizador foi o italiano Bernardo Bertolucci. Este conta a história de duas pessoas que se encontram quando procuram arrendar um apartamento na cidade de Paris. Sem conhecerem o nome um do outro, vivem uma relação tórrida e que se aprofunda em cenas bastante controversas, sendo uma dessas a da mencionada violação.

Ora, e após a atriz revelar o incómodo que sentiu no desenrolar desse momento, Schneider nunca mais fez parte de cenas de nudez. A reação que teve perante a atenção dos media e as eventuais repercussões desta cena levaram a francesa a entregar-se às tentações da droga e a uma profunda depressão. Em 2007, e para o Daily Mail, afirmou ter-se sentido violada pela experiência e tanto por Brando como por Bertolucci, esta que tinha somente 19 anos na produção do filme, enquanto o ator norte-americano tinha já 48. A atriz viria a falecer em 2011, vítima de uma doença oncológica.

O realizador italiano só viria a público mostrar o seu pesar com os contornos que a cena tomou após a morte de ambos os protagonistas. No vídeo abaixo, o europeu admite que Schneider nunca havia consentido nesta cena idealizada pelo cineasta e por Marlon Brando, em que este usaria algumas gramas de manteiga para violar a francesa.

“A sequência da manteiga foi uma ideia que eu e o Marlon tivemos antes de filmar”, disse o realizador num evento parisiense na La Cinémathèque Française. “Lamento a forma como a fiz sentir mas foi a forma que arranjei de captar a sua reação como mulher e não como atriz. Queria que ela reagisse como se tivesse sido humilhada. Acho que ela nos detestava por não lhe termos dito nada.” No entanto, não expôs arrependimento quanto à forma como a cena foi conduzida.

Para obter algo, acho que tens de estar completamente livre. Não queria que a Maria representasse a humilhação a raiva mas que a sentisse. De seguida, passou-me a detestar para o resto da sua vida.” Quanto ao ator Marlon Brando, este mostrou-se horrorizado com aquilo que veio a público no filme e sentiu-se de igual forma usado e violado por aquilo que se tornaria um dos filmes mais escrutinados da década de 70. A sensação foi de tamanho desagrado e trauma que não mais contactou o cineasta nos quinze anos seguintes. Por sua vez, Bertolucci nunca abandonou cenas com forte cariz sexual do seu pecúlio produtivo. Não obstante isso, não se escapou a uma punição judicial em terrenos italianos, com o seu filme a ser censurado, os seus direitos civis revogados e uma pena suspensa de prisão de quatro meses. Dois anos seguintes a esta deliberação, em 1978, o filme seria novamente posto em circulação a partir de três cópias que foram preservadas em solo transalpino.

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