Assírio & Alvim recupera textos de Almada Negreiros em edição de bolso

3 JUNHO, 2016 -

Duas antologias de textos, ‘Manifestos’ e ‘Ficções escolhidas’ inauguram uma nova coleção dedicada ao escritor e artista plástico português Almada Negreiros, que começa a ser publicada no dia 09, revelou a editora Assírio & Alvim.

A coleção ‘Almada Breve’ pretende apresentar “o essencial da obra literária de Almada Negreiros”, como refere a editora em comunicado, reunindo antologias de textos por géneros, de forma cronológica, com introdução que os contextualiza e com os desenhos ou arte gráfica das publicações originais.

No caso da antologia ‘Ficções escolhidas’, foram reunidos vários textos, escritos sobretudo nas décadas de 1910 e 1920, entre os quais o inédito “O Pierrot que nunca ninguém soube que houve”. Ao inédito juntam-se, por exemplo, “A engomadeira” e “K4 o quadrado azul”.

‘Manifestos’ apresenta os quatro manifestos vanguardistas de Almada Negreiros, entre os quais o célebre ‘Manifesto Anti-Dantas’ e ‘Exposição de Amadeo de Souza Cardoso’, texto que acompanhou uma mostra deste artista plástico, em 1916, na Liga Naval Portuguesa, em Lisboa.

“Apenas quatro, os manifestos de Almada são contudo bem diferentes entre si. Dois deles denunciam a arte obsoleta do passado, bem como os vícios e gostos burgueses de uma sociedade acomodada — os manifestos que se poderão chamar ‘negativos’; e outros dois instigam o público a usufruir dos expoentes de modernidade e vanguarda que no momento da escrita se podiam ver no país — manifestos a que poderemos chamar ‘positivos'”, lê-se na introdução.

Em janeiro, quando o grupo Porto Editora apresentou o plano editorial para o semestre, o editor Vasco David, da Assírio & Alvim, explicava que a coleção de bolso “Almada Breve” visava “democratizar” os textos do autor modernista.

As antologias da coleção têm edição de Fernando Cabral Martins, Luís Manuel Gaspar, Mariana Pinto dos Santos e Sara Afonso Ferreira.

Nascido em São Tomé, em 1893, José de Almada Negreiros é uma das figuras destacadas da vanguarda da arte portuguesa do século XX, tendo explorado várias expressões artísticas, das artes plásticas à poesia e ao ensaio. Foi um dos dinamizadores do grupo ligado à revista Orpheu.

Realizou, em 1913, os seus primeiros óleos, para a Alfaiataria Cunha, e organizou, nesse ano, a sua primeira exposição individual, na Escola Internacional de Lisboa.

A participação, em 1969, no programa ‘Zip-Zip’, da RTP, deu-lhe uma grande popularidade.

Morreu em 1970, no hospital St. Louis, no Bairro Alto, em Lisboa, no mesmo quarto onde morrera Fernando Pessoa (1888-1935).

Texto Lusa

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