As paisagens sonoras de Kiasmos

27 AGOSTO, 2017 -

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Quiasmo é um recurso estilístico em que os elementos são dispostos de forma cruzada, emparelhando duas frases contrárias que se balançam de uma forma apelativa. Para além de ser evocativo, dá a ideia de simbiose e conjura uma dualidade onde é usado. Foi apenas devido a um acaso estético que o duo islandês Kiasmos foi assim apelidado, mas o que é certo é que é complicado pensar num nome mais adequado para o mesmo. O projecto que junta o multi-instrumentista Ólafur Arnalds e o membro dos BloodgroupJanus Rasmussen, das ilhas Faroé, constrói-se com base em dualidades, assentando numa ideia de cruzamento entre a música clássica e a electrónica, para o qual cada um dos dois membros contribui com a sua experiência musical. O resultado é música techno experimental, encarnada em canções longas, de batidas constantes e limpas.

Os dois membros conheceram-se na cena musical relativamente pequena de Reykjavík, quando Arnalds trabalhava como engenheiro de som numa sala de espectáculos. Os Bloodgroup convidaram-no para os acompanhar numa tour islandesa, e foi aí que se tornaram amigos, unidos pelo amor à música electrónica. As suas semelhanças tornam-nos parceiros ideais de banda, já que o processo de execução do álbum foi muito tranquilo e rápido, segundo dizem em entrevistas, pelo que a ideia de simbiose quiásmica fica ainda mais cimentada. A intenção de ambos foi sempre que a música surgisse naturalmente, sem ser planeada. Assim, o processo criativo que caracteriza Kiasmos tem base na improvisação. Um beat de Janus surge na caixa de ritmos, sobre o qual Ólafur vai teclando, no seu piano.

Ouvir o álbum de estreia homónimo, lançado em 2014, é estar assente num chão composto pelo ritmo, e ser levado numa viagem pela vastidão dos sintetizadores, quarteto de cordas e o piano de cauda de Arnalds. Apesar de o som ser maioritariamente electrónico, há uma componente orgânica que traz à mente a natureza fria do país onde o duo teve origem; a Islândia. Os rios cavados na superfície vulcânica, o vento que se faz sentir nas penínsulas recortadas, o azul límpido dos glaciares, o vapor sulfúrico das fumarolas; parece que tudo se faz presente aqui, com uma subtileza tocante, que flui suavemente. Isso é completado com visuais abstractos favorecidos pela banda, que, não representando directamente nada, lembram elementos naturais.

A experiência de Ólafur como engenheiro de som e a familiaridade de Janus com os sintetizadores tornam o som rico e texturizado. Elementos como o estalar de dedos, o som da kalimba ou até o barulho metálico da roda de um isqueiro, enriquecem os cenários sónicos de uma forma intimista. Assim, as batidas não soam estéreis, e são um bom manifesto da ideia que o duo uma vez afirmou; a de que faz música para quem não quer dançar apenas com os pés, mas também com a mente. Aliás, é um disco que pertence tanto à discoteca como ao conforto das nossas casas.

Após três anos de repetidas aclamações pela crítica e pelo público, o duo lançará um novo EP, Blurred, no dia 6 de Outubro. O mesmo manterá a tradição dos títulos de canções com verbos ingleses no passado, e vai incluir remixes de BonoboStimming. Segundo a banda, a intenção de escrever canções mais negras saiu gorada pela delicada Primavera de Reykjavík, que os levou a fazer a música mais “luminosa” da sua autoria até à data. O primeiro single, “Blurred“, é um bom exemplo disso.

Kiasmos darão início a mais uma tour europeia em Portugal, ao estar presentes na quarta edição do LISB-ON Jardim Sonoro, que decorrerá no Parque Eduardo VII, entre 1 e 3 de Setembro, onde darão um dos concertos mais aguardados do festival.

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