Artistas do Porto vão às escolas primárias para promover ensino da arte

17 OUTUBRO, 2016 -

Investigadores da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP) levam artistas locais a escolas do primeiro ciclo para desenvolverem trabalhos com as crianças e professores, procurando criar boas práticas do ponto de vista da educação artística.

Pretende-se incentivar estratégias de aprendizagem através da arte contemporânea que permitam aos estudantes ser ativamente envolvidos com as questões que os preocupam“, disse à Lusa a professora da FBAUP Catarina Martins.

Este é um dos objetivos do CREARTE, um projeto europeu do qual a FBAUP faz parte, a partir do seu Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (i2ADS), juntamente com o Instituto Pedagógico e o Ministério da Educação e Cultura do Chipre, a Universidade de Jaen, de Espanha, a INSEA – Organização Internacional de Educação através da Arte, o Goldsmith’s College, do Reino Unido e a BUFF Film Festival – festival de cinema infantil – da Suécia.

Em Portugal, numa primeira fase e durante quatro meses, 14 artistas com diferentes valências implementaram o projeto em 14 escolas primárias do Porto, de Viseu, de Vila Nova de Gaia, de Matosinhos e do Bombarral.

O diálogo e o debate sobre experiências que as crianças têm do real, na escola e fora da escola, e compreender que as artes visuais trabalham questões importantes tais como identidade pessoal e cultural, família, comunidade e nacionalidade são outros dos objetivos.

A educação artística é uma área que está presente nos currículos mas na verdade são os professores responsáveis por outras áreas curriculares que desta se ocupam, não tendo, na maioria das vezes, uma formação específica do ponto de vista das artes“, explicou.

No CREARTE são utilizadas várias estratégias de ensino tais como a dramatização, o diálogo, a procura sistematizada de materiais e ideias, a experimentação, a pesquisa visual, a reflexão, o debate e a interação com situações, artefactos e pessoas.

A partir de janeiro os artistas retornam às escolas primárias, momento no qual inicia também mais uma etapa das formações locais aos professores, no Porto, em Coimbra e em Lisboa.

De acordo com a professora, “já se sente o impacto que o projeto criou nas escolas por onde passou, do ponto de vista da abertura de novos recursos, novas metodologias de trabalho, novas formas de encarar a expressão artística nesses espaços“.

Muito raramente as crianças têm contacto direto com as pessoas que estão de facto a trabalhar em arte“, referiu, acrescentando que aos professores é possível “trabalharem colaborativamente no projeto, ao lado dos artistas“.

Os parceiros envolvidos no projeto procuram “uma democratização dos processos de produção e isso só será desmistificado a partir do momento em que as crianças tenham um contacto direto com quem faz arte e com os artistas”.

Acredito que a escola pública deve ser pensada precisamente para todas as crianças no sentido de uma democratização dos saberes e das aprendizagens e as artes fazem parte daquilo que é o conhecimento, não podem continuar a ser separadas, são de facto uma área do saber e uma área curricular com as suas especificidades“, indicou Catarina Martins.

Segundo a professora, caso não se verifiquem mudanças no paradigma atual, “os modelos do passado” vão continuar a ser reproduzidos, como se a “arte fosse só uma área de livre expressão e não houvesse qualquer conhecimento que pudesse aí ser produzido“.

O lugar da educação artística na contemporaneidade é o de questionamento, de crítica, de interpretação e interpelação do mundo. É muito mais do que um valorizar da arte como se fosse um mundo à parte, sagrado“, concluiu.

O CREARTE, que finaliza em agosto de 2017, foi financiado pela Comissão Europeia no âmbito do programa Erasmus+.

Texto de Lusa
Fotografia – Atelier de Escultura – ESBAP

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