Apropriação sentimental das medalhas de ouro e a demência colectiva da nacionalidade

11 JULHO, 2016 -

Apropriação sentimental das medalhas de ouro – e a demência colectiva da nacionalidade

nem agora nem nunca me revi no colectivismo sentimental da nacionalidade, porque ele varia consoante a dimensão da euforia.
e a euforia faz parte intrínseca da demência
POR EXEMPLO
quando a Telma Monteiro vence uma medalha de ouro no judo, ou Dulce Félix vai ao pódio, dizemos,
– Portugal é medalha de ouro nisto ou naquilo
Mas no caso do futebol, nós apropriamo-nos da medalha sentimental e colectivizamos a nacionalidade eufórica (e também demente), quando dizemos,
– SOMOS campeões europeus
Não dizemos, tal como no judo, na corrida ou noutras modalidades,
– Portugal é campeão europeu
Dizemos,
– SOMOS campeões europeus de futebol
Essa dicotomia no modo como nos apropriamos da nacionalidade só é explicada pela euforia da demência colectiva.
Uma nação não é nem mais nem menos do que uma prova de judo, uma maratona, ou um jogo de futebol.
O Cristiano Ronaldo não é nem mais nem menos arauto da pátria do que a judoca Telma Monteiro.

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