‘Aparições’ de Fátima, o centenário de um fenómeno produzido pela Igreja Católica

3 ABRIL, 2017 -

Há cem anos, com as “aparições” de Fátima, nasceu na Cova da Iria um culto popular que depressa se propagou num país católico, analfabeto e dado a devoções, atravessando um dos mais dramáticos momentos da sua história. A Igreja Católica estimulou, disciplinou e enquadrou ideologicamente o culto, transformando-o num fenómeno mundial e instrumentalizando-o a seu favor.

É uma obra corajosa, um trabalho rigoroso e desapaixonado, baseado numa investigação exaustiva e persistente sobre a forma como a hierarquia católica foi construindo, primeiro, e usando, depois, o “milagre” de Fátima com o objectivo de transformar o lugar e a alegada epifania num pólo ideológico de “recristianização” de um Portugal doente e afastado dos caminhos da fé pelo ateísmo e anticlericalismo republicano“, pode ler-se no prefácio de Fernando Rosas.

Luís Filipe Torgal é professor do ensino secundário e doutorado em Estudos Contemporâneos pela Universidade de Coimbra, onde é investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX. Publicou os livros Tomás da Fonseca, Missionário do Povo. Uma biografia de Machado Santos (1875-1921) – O Intransigente da República (em co-autoria), e organizou Na Cova dos LeõesFátima: Cartas ao Cardeal Cerejeira e a antologia Religião, República, Educação (ambos de Tomás da Fonseca).

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