Antígona vai lançar 9 livros nos próximos 6 meses

10 JANEIRO, 2017 -

O livro de contos “Pastoralia“, do norte-americano George Saunders, com tradução e prefácio de Rogério Casanova, abre este mês o plano editorial da Antígona que conta, na área da ficção, editar este semestre nove títulos, divulgou a editora.

Além de “Pastoralia“, sairá também, este mês, outra obra de contos, “Alucinar o Estrume“, do português Júlio Henriques.

Quanto ao norte-americano George Saunders, de 58 anos, é “frequentemente comparado a David Foster Wallace“, e visto como “discípulo de Donald Barthelme“, um dos expoentes do conto curto contemporâneo, refere a Antígona, acrescentando que lê-lo “é mergulhar num mundo de humor idiossincrático, em que as distopias já se concretizaram, e cujas principais vítimas, no entanto, declaram obedientemente a sua vontade de cumprir as regras abstrusas do sistema“.

O português Júlio Henriques, que vive no Alentejo, onde se dedica à criação de cavalos, é editor da revista Flauta de Luz, também tradutor e publicista.

Sobre esta obra adianta a Antígona: “Nas franjas indefinidas de uma sociedade que avança, absurda e doente, para o abismo que superiormente cria e quer, vão surgindo, às apalpadelas, núcleos de gente em busca de sentido“.

Em fevereiro é editado outro livro de contos, “Contos Escolhidos“, do russo Yevgeny Zamiatine, mestre da sátira, numa tradução Nina Guerra e Filipe Guerra. Estes contos são precedidos de “Carta a Estaline“, um “texto breve mas elucidativo da vida de um escritor durante a ditadura opressiva de Estaline [na ex-URSS]“.

Este livro inclui um punhado dos melhores contos do autor da pioneira distopia ‘Nós’, ordenados cronologicamente, entre os quais ‘O Dragão’, ‘O Norte’, ‘O Xis’, ‘A Caverna’ e ‘Inundação’, que nos permitem apreciar a magnífica prosa de Zamiatine, em toda a sua profundidade e riqueza“.

Também em fevereiro são publicados “Contos Musicais“, textos de Wackenroder, Kleist e Hoffmann, com tradução e prefácio Claudia J. Fischer, e posfácio do musicólogo Mário Vieira de Carvalho, ex-secretário de Estado da Cultura.

Esta antologia de contos literários de autores românticos alemães sobre temática musical reúne textos inéditos em Portugal, assinados por autores já conhecidos do leitor português, nomeadamente Kleist, E.T.A. Hoffmann e Wackenroder, este último com um papel determinante no nascimento do movimento romântico na Alemanha“, realça a editora.

O primeiro romance deste ano, com a chancela da Antígona, “Requiem por um Sonho“, de Hubert Selby Jr., chega às livrarias, numa tradução de Paulo Faria, em abril.

Segundo a New York Times Book Review, citada pela editora portuguesa, Selby, o autor de “Última Saída para Brooklyn“, “pertence às fileiras dos maiores escritores americanos“. “Compreender a sua obra é entender a angústia da América“.

Este romance de 1978, já foi adaptado ao cinema por Darren Aronofsky, em 2000, e é, “segundo o autor, um retrato da perversão destrutiva do sonho americano, essa ilusão delirante alimentada a drogas e comprimidos, imagens televisivas e dinheiro“.

O romance “Manuscrito Corvo“, de Max Aub, numa tradução de Júlio Henriques, será publicado em maio.

Esta é “uma das obras mais singulares de Max Aub“, o “caderno de notas do corvo Jacobo“, no qual o narrador alado “relata as suas impressões sobre a espécie humana, depois de ter observado a vida no campo de concentração de Vernet d’Ariège“, onde Max Aub esteve encarcerado após a Guerra Civil de Espanha (1936-1939).

Para a Antígona, esta obra saída de 1955 é “um tratado sobre a vida do Homem, as suas contradições e supostas certezas, pela pena de um sagaz pássaro“.

Em junho é publicado “Tono-Bungay“, romance de H.G. Wells, numa tradução de José Miguel Silva, obra-prima do autor inglês, “livro no qual o autor revela todo o seu talento“. “Tono-Bungay” é “uma genial sátira à mercantilização crescente e à credulidade do mundo“.

Em julho sai, numa tradução de Tânia Ganho, “Sei Porque Canta o Pássaro na Gaiola“, o primeiro de vários volumes autobiográficos de Maya Angelou, publicado originalmente em 1969, no qual a autora, que morreu em 2014, “narra a infância no Arkansas [Estados Unidos], os seus medos e anseios, compondo simultaneamente o retrato da vida da população negra no sul dos Estados Unidos na primeira metade do século XX“.

Ainda em julho, é editado o diário “Uma Semana nos Rios Concord e Merrimack“, de Henry David Thoreau, numa tradução de Luís Leitão.

Esta obra, editada pela primeira vez em 1849, “é o relato da viagem que Thoreau e o seu irmão, John, empreenderam em 1839, no barco que os dois construíram, Musketaquid (o nome índio do rio Concord)“.

Este diário de bordo” é também um “grandioso ensaio sobre a amizade e o amor“, assegura a Antígona.

Texto de Lusa

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