Anthony Weiner: quando uma foto no Twitter destrói um futuro brilhante

9 OUTUBRO, 2017 -

O congressista Anthony Weiner tinha tudo para atingir o sucesso na política norte-americana, porém acabou por tornar-se o protagonista de uma das  maiores quedas da década. E arrastou consigo Hillary Clinton, que por causa dele pode ter perdido a corrida à Casa Branca

Podíamos começar por fazer uma breve reflexão sobre a importância do cuidado nas publicações em redes sociais, mas o caso do antigo congressista Anthony Weiner está para além de qualquer aviso. Foram vários os escândalos que mancharam seu nome. O último deles pode ter ditado a derrota de Hillary Clinton nas presidenciais de 2016 e agora vai obrigá-lo a cumprir 21 meses de prisão.

Nascido a 4 de Setembro de 1964, Anthony Weiner era considerado um exemplo de sucesso da escola pública americana. Filho de Mort e Frances Weiner, um advogado e uma professora de matemática, terminou o secundário na Escola Secundária e Técnica de Brooklyn com o sonho de ser meteorologista. Rapidamente o destino se ocupou de lhe mudar o rumo e Weiner acabou por tirar o curso de Ciências Políticas na Universidade Estatal de Nova Iorque em Plattsburgh.

Foi sob a asa do então congressista e hoje senador, Charles Schumer que deu os primeiros passos na política. Trabalhou na equipa de Schumer durante seis anos, tendo sido incentivado pelo mentor a envolver-se na política local. A primeira oportunidade surgiu em 1991 quando a Assembleia de Nova Iorque aumentou o número de representantes. A competição dentro dos democratas era renhida mas Weiner acabou por conseguir vencer com 125 votos de diferença do segundo classificado, Michael Garson, e 195 de Adele Cohen, os favoritos na corrida.

No entanto, o recém-eleito membro da Assembleia não jogou limpo. Só depois da nomeação, Weiner admitiu ter sido responsável pela divulgação anónima de panfletos que denegriam as imagens dos adversários. Com apenas 27 anos, foi o vereador mais novo da história de Nova Iorque.

Em 1998, o delfim de Charles Schumer foi visto pelo mestre como estando preparado para assumir o lugar que lhe era devido. Schumer iria concorrer ao Senado, deixando o lugar na Câmara dos Representantes vago para o discípulo. E Weiner não deixou escapar a oportunidade. Concorreu e venceu as eleições primárias com o apoio dos habitantes da zona Brooklyn e Queens.

O início do fim

Intenso, exigente e viciado em trabalho. O New York Times publicou em julho de 2008 um artigo que denunciava os ataques de fúria do congressista e o colocava no top de piores chefes da casa dos representantes, tendo mudado de chefe de gabinete três vezes em apenas 18 meses.

No entanto a verdadeira queda aconteceu a 27 de maio de 2011. Weiner foi apanhado num escândalo por causa de uma fotografia de cariz sexual que foi enviada pela sua conta pública do Twitter a uma mulher que o seguia.

Negou, negou e voltou a negar. Chegou mesmo a contratar um detetive privado para apanhar o responsável pela alegada violação da conta. Mas a verdade acabou por vir ao de cima e Weiner viu-se obrigado a admitir que tinha «trocado fotos de natureza explícita com pelo menos seis mulheres nos últimos seis anos».

A carreira política estava por um fio, e o congressista tentou manter-se agarrado a ele até ao fim. No entanto, acabaria por ter mesmo de se demitir. «Estou a anunciar a minha demissão do Congresso para que os meus colegas possam voltar ao trabalho, os meus vizinhos possam escolher um novo representante e, mais importante, que a minha mulher e eu possamos continuar a sarar as feridas que eu causei.»

Sexting, prisão e Presidenciais

Nem o sonho político de Weiner terminou aqui, nem o seu fetiche por enviar fotografias de cariz sexual desapareceu. Em 2013, depois de ter fundado uma empresa de consultoria, anunciou a candidatura à Câmara Municipal de Nova Iorque num vídeo publicado na plataforma Youtube.

Um mês depois do anúncio, um novo escândalo sexual voltava a envolver o nome do democrata. Ou melhor: o nome era Carlos Danger, um ‘nickname’ usado por Weiner para uma conta de Twitter fictícia. Mais fotos enviadas, mais um pedido de desculpas, com a mulher, Huma Abedin, sempre ao seu lado. Weiner acabou por perder as eleições conseguindo apenas 4,9% dos votos.

Mas o caso mais grave ainda estava para vir. A história merece ser contada ao pormenor.

Weiner estava a ser investigado pelo FBI devido ao envio de fotografias, incluindo fotos dos genitais, a uma rapariga de 15 anos e pela tentativa de persuadir esta a fazer uma vídeo-chamada com o político onde tirava a roupa e se masturbava. O computador do ex-deputado foi apreendido pelo diretor do FBI, James Comey, com o objetivo de obter provas do caso. O que James Comey não esperava era encontrar mails enviados por uma conta particular de Hillary Clinton.

Esclareça-se que Huma Abedin foi o braço direito de Hillary desde os tempos em que esta foi secretária de Estado e teria enviado e recebido emails de trabalho de uma conta particular da candidata à Casa Branca. James Comey anunciou a reabertura da investigação, 10 dias antes das eleições presidenciais e Donald Trump aproveitou o momento para rotular este de «o maior escândalo político desde o Watergate».

Na investigação prévia, Hillary Clinton não tinha sido acusada e, desta vez, o resultado da investigação foi o mesmo. Dias antes de eleição, James Comey veio declarar que não foram encontrados indícios de crime nos emails. Mas o mal já estava feito…

Clinton perdeu a Casa Branca para Donald Trump, e Weiner, além de ter visto Huma Abedin pedir o divórcio, viu-se ser-lhe instaurado um processo-crime que resultou numa pena de 21 meses de prisão.

«Eu tenho uma doença, mas não tenho uma desculpa», foi assim que Anthony Weiner se assumiu como culpado. O ex-congressista ainda tentou evitar a prisão dizendo ser «um homem muito doente há muito tempo» e o advogado tentou virar o jogo acusando a rapariga de ter agido com o interesse de obter material para escrever um livro e, até, intenção de influenciar as eleições presidenciais. A jogada não correu bem e o juiz declarou que os motivos da menor eram irrelevantes. Weiner deu entrada na prisão esta sexta-feira.

Artigo escrito por Filipa Traqueia / Parceria

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