‘Alien Covenant’: sangue, dor e déjà vú

15 MAIO, 2017 -

Após a desilusão que foi Prometheus em 2012, a franquia Alien regressa com mais força, mas sem alcançar o seu potencial com Alien: Covenant. O realizador Ridley Scott, mais uma vez, tenta alcançar a glória e aquilo que tornou o primeiro Alien um filme de culto. Mas é apenas isso, uma tentativa.

Uma nave pelo espaço em rumo a um novo planeta, um androide Walter (Michael Fassbender, o ator do momento, que também vemos no novo Malick) que cuida da nave enquanto todos dormem, um problema que os leva a acordar, o horror, o susto, a surpresa do um novo planeta que parece demasiado bom para ser verdade, erros crassos que levam ao fim de vidas, um passageiro não identificado, todos os clichés possíveis e já visto tantas vezes em diversos filmes. O filme é um cliché, mas isso não faz dele péssimo. Só é preciso um salto de fé para nos deixarmos levar por ele e ignorarmos todo o role de ideias que já foram feitas, vistas e revistas dezenas de vezes.

Michael Fassbender destaca-se a léguas de qualquer outro ator presente no filme. Não só é o androide obediente, adorado e responsável William, como também é o apaixonado pela criação, mas sem amor à vida humana David. E quando ambos colidem é uma luta até à morte, quase a fazer lembrar a luta final entre a humanidade vs. máquinas, dotadas de Inteligência Artificial do Matrix, mas numa versão em que não apoiamos o lado humano, e mais realista. Daniels (Katherine Waterston) encontra-se no centro do filme, e surpreende. Passa de perdida e em sofrimento, a corajosa e temível sem alguma vez duvidar das suas capacidades. Infelizmente, o resto dos atores não cativam o suficiente para repararmos neles mais do que o tempo que estão à nossa frente, sendo quase apenas uma nota de rodapé.

Temos momentos em que não sabemos se estamos a ver um filme em que é suposto agarrarmo-nos à cadeira com receio do próximo susto ou momento de suspense, ou um filme em que questionamos o propósito da vida, de onde viemos e para onde vamos, e quem é que somos nós. Temos referências a Shelley, Lord Byron, e até música clássica. Uma procura de respostas ao longo do filme que não levam a grande lado, a não ser à revolta interior de David, e à tomada de uma atitude por William.

Sem dúvida que uma das melhores coisas deste filme é a banda sonora. Destaco especialmente as cenas em que a música acompanha o suspense do filme e os nossos corações acabam num traulitar de emoções, assim como a cena final ao som da ‘’Entry of the gods into Valhalla’’ de Wagner.

Há ainda momentos que acenam ao original Alien, e ao seu horror clássico e suspense terrífico que nos levam a alguns jump scares. Temos também corpos a ser desmembrados, sangue que salta para todo o lado atendendo aos gostos de todos aqueles que esperavam algo mais agressivo do que a prequela.

Um filme que precisa de se remodelar e deixar o modelo habitual e cliché para voltar a ser um franchise de culto.

Crítica escrita por André Pisco, publicada no nosso parceiro Insider Film

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