‘Álbum de fotos’ de Fernando Pessoa mostra que fez mais do que se pensa

13 JUNHO, 2016 -

Celebra-se hoje a passagem pelo 128.º aniversário do nascimento de Fernando Pessoa.

O investigador Nuno Hipólito afirma que Fernando Pessoa, falecido há 80 anos, “fez muito mais do que todos pensam que ele poderá ter feito, numa vida que, apesar de curta, foi muito preenchida“.

Nuno Hipólito é o autor de um ‘Álbum de fotos’ do poeta, no âmbito do projeto Obras de Fernando Pessoa, editado pela Parceria A. M. Pereira, iniciado em março do ano passado com o volume ‘Pensamentos e citações’.

Álbum de fotos’ é o quarto volume desta coleção, que reúne várias fotografias do poeta, de familiares, de alguns intelectuais com os quais conviveu, como Teixeira de Pascoaes, Matos Sequeira ou António Botto, e também da sua apaixonada Ophélia Queiroz.

O álbum inclui também imagens de época de Lisboa e da República Sul-Africana, onde Fernando Pessoa viveu com a família de 1896 até 1905.

Um dos objetivos deste álbum de fotos, escreve Hipólito, “é o de mostrar como Fernando Pessoa fez muito mais do que todos pensam que ele poderá ter feito, numa vida que, apesar de curta, foi muito preenchida“.

Sobre o poeta, o investigador afirma que é “tímido e introvertido, pouco à vontade com a sua imagem e com o seu corpo, ainda menos à vontade com as mulheres quando as encontrava, tirando talvez Ophélia, que, mesmo casada, nunca o esqueceu“.

Numa carta a Ophélia, em finais de abril de 1920, Fernando Pessoa escreveu: “Não, não me tenho esquecido do retrato, mas tive sempre uma certa embirração por tirar retratos. Em todo o caso, tirá-lo-ei. Talvez meus irmãos mesmo mo tirem“.

Uma das últimas fotografias deste álbum organizado, e com prefácio e notas de Nuno Hipólito, é da “procissão funerária de Fernando Pessoa, a 02 de dezembro de 1935“, acompanhado por padre católico, à porta de uma igreja não identificada, com cerca de trinta pessoas, maioritariamente homens.

O autor coligiu também fotos mais recentes, como a trasladação do corpo do poeta para o mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, a 16 de outubro de 1985, ou a inauguração da sua estátua, de autoria de lagoa Henriques, no largo do Chiado, à porta do café A Brasileira, também na capital.

Fernando Pessoa nasceu em Lisboa, num prédio no largo de S. Carlos, no dia 13 de junho de 1888, por ser dia de Santo António, tomou o nome de Fernando António Nogueira Pessoa. Campo de Ourique foi o último bairro lisboeta onde morou, tendo residido com a família no 1.º piso de um prédio no n.º 16 da rua Coelho da Rocha, depois de ter deambulado pela cidade, tendo alugado quartos na Estefânia e no Príncipe Real, entre outros bairros.

Pessoa é autor de obra vasta e plural, escrita em português e também em inglês.

O autor publicou poucos textos em vida, um deles foi ‘Mensagem’ (1934), tendo a maior parte da sua obra sido publicada na segunda metade do século XX. Atualmente, continuam a surgir inéditos.

Numa nota biográfica que escreveu meses antes de morrer, em Lisboa, a 30 de novembro de 1935, Pessoa afirmou-se poeta e escritor “por vocação”.

Texto Lusa
Fotografia Pedro Cunha

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