Ai Weiwei inaugura quatro exposições no mesmo dia em Nova Iorque

6 NOVEMBRO, 2016 -

O artista e ativista chinês Ai Weiwei retorna a Nova Iorque, segundo o artnet News, onde inaugurou quatro exposições em quatro grandes galerias, no passado dia 5 de novembro. Apesar de já ter vivido na cidade norte-americana na década de 80, a entrada de Ai Weiwei nos Estados Unidos da América tem sido complicada devido a desavenças com o governo chinês. O artista viu o seu passaporte confiscado por quase dois anos, e não pode estar presente em muitas das suas exposições nos EUA. No entanto, livre de voltar a viajar, Ai Weiwei tem visitado muitos campos de refugiados, sendo a crise dos refugiados o tema central das suas exposições.

As quatro exposições são complementares, estando “Roots and Branches” nas duas localizações da galeria Mary Boone e na galeria Lisson, e “Laundromat” na Deitch Projects. Nas primeiras três encontramos instalações diferentes mas que dialogam ente si. Na galeria Lisson encontram-se esculturas de troncos e raízes em ferro, e um papel de parede branco e preto onde faz utilização do antigo estilo greco-romano, em figuras referentes aos dias de hoje, sendo algumas destas representações de refugiados. A árvore e o papel de parede voltam a estar presentes, na galeria Mary Boone Chelsea. Para a instalação Tree, Ai Weiwei utilizou partes de árvores mortas que trouxe de montanhas do sul da China, formando uma só grande árvore. Aqui o papel de parede é em tons de dourado, e contem câmaras de vigilância e passarinhos como os do logótipo do “Twitter”. Pode-se também ver uma imagem muito conhecida de Ai Weiwei, o artista deixando cair um vaso da dinastia Han, desta vez num tríptico feito de peças lego. Numa outra localização da mesma galeria, encontra-se uma instalação com madeira, porcelana, peças de lego e também papel de parede.

Ai Weiwei, Iron Root (2015)
Ai Weiwei, Iron Root (2015)

Já “Laundromat” é uma exposição completamente diferente, onde a veia ativista de Ai Weiwei está ainda mais visível. Nesta o artista utiliza peças de vestuário que recolheu nas visitas aos campos de refugiados, que o artista documentou através de fotografias no seu instagram. Muitas destas peças foram recolhidas no acampamento Idomeni, na fronteira entre a Grécia e a Macedónia, quando muitos dos refugiados foram forçados a sair pela polícia grega e a ir para outros campos deixando os seus pertences para trás. Os sapatos, botas, casacos, camisolas e calças estão todos organizados e dispostos como numa loja. No papel de parede podemos ver as fotografias das visitas de Ai Weiwei aos campos, e um vídeo mostra imagens bastante chocantes da Antiga República Jugoslava da Macedónia. Este é um projeto não comercial, ao contrário do presente nas outras três galerias.

Ai Weiwei é um dos artistas contemporâneos mais importantes e bem-sucedidos. Tem sido controverso ao longo da sua extensa carreira, mas agora chama a atenção para um assunto urgente, e que lhe é próximo uma vez que o próprio e a sua família também passaram pelo exílio durante a Revolução Cultural na China.

Detalhe de papel de parede na galeria Lisson
Detalhe de papel de parede na galeria Lisson

Texto de Joana Leão

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