‘Adventure Time’: O maior fenómeno do Cartoon Network vai deixar saudades

20 MARÇO, 2017 -

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Para quem não conhece, Adventure Time é uma série de animação norte-americana com o selo do Cartoon Network. Esta série está em exibição desde Abril de 2010 e vai ver no próximo ano o seu fim, naquele que foi a maior ligação de sempre (número de episódios) de um desenho animado com o canal americano. Apesar de Pendleton Ward, o criador da série, ter afirmado recentemente que a sua equipa está pronta para continuar a série durante mais anos, o canal americano decidiu por fim a esta ligação, afectando os inúmeros fãs em todo o mundo, que queriam mais de uma série que nunca perdeu qualidade.

A série conta a história de Finn, o único humano num mundo surreal cheio de monstros, doces com vida e tantos outros animais que nunca pensámos existir, e do seu irmão Jake, um cão falante com a fantástica habilidade de aumentar e diminuir de tamanho e imitar a forma de quase tudo o que existe. Neste mundo de fantasia existe um pouco de tudo: várias princesas feitas de doces, fogo, lama, entre outras propriedades, um feiticeiro com poderes de gelo e uma obsessão por princesas, um pinguim mais inteligente do que qualquer outro ser, uma consola portátil falante, raposas, porcos, doces, monstros, tudo aquilo que alguma vez já imaginaste e muito mais! Além disso o mundo é bastante diversificado, cheio de detalhes de fantasia, ficção científica (vais conhecer o criador do Universo) e uma ligação muito especial com o surrealismo.

Pendleton Ward

Embora a história possa parecer simples – os dois irmãos vão percorrer o mundo em busca de aventuras, tesouros e novos inimigos –, não o é. Existe demasiada complexidade para que Adventure Time possa ser simples, mas a forma de como a narrativa é explorada é incrível. Tudo é explicado de forma tão simples que qualquer criança com 8 anos terá capacidade para se divertir e entender grande parte do episódio. Por outro lado, existem vários detalhes que uma criança nunca terá capacidade de compreender, mas como qualquer bom desenho animado para uma faixa etária abrangente, não irá estragar a visualização a nenhuma dessas faixas etárias. Fala-se de morte, vida, reprodução, aventura, desafios, tentação, gula, amizade, depressão, frustração, etc. Não há praticamente nenhuma temática que esteja excluída desta série. O facto de Finn não saber quem são os seus pais verdadeiros é também uma sub-história da narrativa principal, tornando-se tão emotiva quanto melancólica ao longo de toda a série e culminando na mini série “Islands”.

Não há grande paralelo nas séries de animação americanas: Adventure Time tornou-se um fenómeno indissociável do nosso tempo, destruindo uma barreira entre animação infantil e animação para adultos. A destruição dessa mesma construção social fez-se através de brilhantes metáforas ilustradas em diversos personagens, momentos e histórias, levando ao expoente máximo de genialidade criativa o seu criador, Pendleton Ward, e toda a equipa de trabalho.

Embora existam alguns casos singulares, não é frequente encontrar desenhos animados americanos que englobem dois segmentos etários distintos. A cultura americana faz-se, geralmente, de estereótipos, fruto de um mercado global vasto, repleto de diversas culturas, etnias e com uma abrangência maior do que as suas próprias fronteiras. Posto isto, é completamente aceitável que grande parte das construções criativas, pelo menos as comerciais, invistam mais em estereótipos sociais de forma a simplificar as suas mensagens e chegar a um público mais vasto. Esta característica faz com que, naturalmente, se perca identidade em muitos dos casos, visto que é bastante complicado criar algo para todas as massas. Adventure Time é uma dessas excepções. Não só é uma série para todas as idades, como ainda é uma série para todas as culturas e países. É fácil encontrar ao longo dos vários episódios momentos em que nos conseguimos identificar com algo, ou pelo contrário, momentos em que nos sentimos de forma conjunta tão confusos que chegamos a questionar a nossa própria sanidade.

É importante realçar isto: o que Adventure Time fez na televisão é inovador, irreverente, arriscado e ficará para a eternidade. Que séries é que são capazes de juntar no mesmo saco tanta criatividade, surrealismo puro e duro, condutas sociais gerais, estereótipos sociais e personagens tão humanas quanto cartunescas? Exemplo disto mesmo é a relação de Finn com várias personagens femininas, a forma de como aborda as suas relações amorosas, desgostos e novas paixões. Este toque minúsculo na narrativa permite que nós, adultos, sejamos capazes de nos identificar com determinadas situações, sem sequer questionarmos a realidade envolvente das mesmas. Por outro lado, as crianças sentem-se também envolvidas neste mundo de fantasia, onde as relações amorosas do protagonista são exploradas de uma forma tão simples que poucos autores filosóficos as conseguiram explicar desta forma.

O fim está anunciado para 2018, mas até lá temos muito para rever vezes sem conta.

Se têm filhos e querem abrir-lhes a mente, metam-nos a ver Adventure Time. E já agora vejam tudo com eles, ou sozinhos, ou com amigos, ou com animais. Estamos possivelmente perante a melhor série de animação de sempre.

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