‘A nossa sociedade’

7 SETEMBRO, 2017 -

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Cada vez que alguém utiliza a expressão «a nossa sociedade», seguida de uma série de apreciações negativas sobre a mesma, seria razoável que entendêssemos esse universo como algo totalmente pessoal e subjectivo, da visão daquela pessoa. Se essa pessoa começasse, antes, por dizer «a minha sociedade», poupar-nos-ia a este trabalho de discernimento; revelaria maior humildade e a contribuição seria mais interessante.

O conceito de sociedade é suficientemente complexo para que qualquer ousada definição que sobre ela se faça nunca fique no real entendimento da mesma. As sociedades são diversas, mesmo dentro de uma mesma sociedade, mas sobretudo dentro de uma mesma pessoa.

Por exemplo, a sociedade portuguesa, vista de uma praia no Brasil, interposta por um periódico qualquer, é totalmente diferente daquela vista, «in loco», por um médico, «à beira do burnout», num hospital de Lisboa. Até podem coincidir nos pontos de vista e a pessoa ser a mesma. Contudo, na primeira situação, podemos fazer um poema sobre as injustiças; na segunda, apenas vivenciá-la, sem capacidade para mentalizar frustrações, muito menos exercer reivindicações.

Há quem só viva num sentido: o de dar, o de ajudar, o de se sacrificar, para apenas sobreviver. É um ponto sem retorno, onde não existe espaço para a tal «nossa sociedade» dos opinion-makers convenientes, dos internautas revoltados ou dos poetas desajustados. Há quem, no silêncio, percorra montanhas de solidão reflexiva, vales de ausência de reciprocidade afectiva.

Imagem em destaque: Dead Poets Society (1989), realizado por Peter Weir 

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