‘A Guerra de Samuel’, livro póstumo de Paulo Varela Gomes chega às livrarias

10 ABRIL, 2017 -

Na novela que abre este livro, Samuel, o guerreiro‑profeta, lidera um grupo de combatentes que tenta recuperar a velha Europa, em pleno caos apocalíptico. A União Europeia desintegrou-se, os países estão em guerra. Faltam transportes, energia, internet, comida. É neste cenário que Paulo Varela Gomes dá corpo à sua ideia de decadência — dos homens e das civilizações —, a qual é inalienável da possibilidade de redenção e de bondade. Ambas sub-jazem também aos contos reunidos neste volume, e são como que o fio condutor dos últimos textos que o autor escreveu.

A fúria, a desilusão, o amor e a esperança deste livro ecoam nas palavras do narrador-personagem de A Guerra de Samuel: «Esperemos, pois, todos, homens e anjos caídos, que o Inferno não exista. Na encruzilhada entre a possibilidade e a realização, a escolha é nossa, não de Deus.»

A carreira literária de Paulo Varela Gomes (1952-2016) foi fulgurante: começou tarde e terminou cedo. Entre 2012, ano em que a doença lhe ditou um curto prazo de vida, e 2016, escreveu quatro romances, reconhecidos com importantes prémios literários: O Verão de 2012, Hotel (Prémio PEN Narrativa), Era Uma Vez em Goa (Grande Prémio de Romance e Novela APE) e Passos Perdidos (crítica). Coligiu ainda um volume de crónicas, Ouro e Cinza, e publicou um texto avassalador na revista Granta, «Morrer é mais difícil do que parece.»

Paulo Varela Gomes foi professor dos ensinos secundários e superior até se reformar em 2012, autor de artigos e livros da sua área de especialidade (História da Arquitectura e Arte), colaborador e cronista permanente de vários jornais e revistas, designadamente do Público, autor e apresentador de documentários de televisão.

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