A demanda existencial dos The Killers, em ‘Wonderful Wonderful’

8 OUTUBRO, 2017 -

Os The Killers editam o seu quinto álbum de estúdio a 22 de Setembro depois de cinco anos sem material original.  O grupo encabeçado por Brandon Flowers foi, há não muito tempo, gigante, no panorama musical internacional. A banda é indissociável da primeira década do século, e produziu músicas que se tornaram icónicas.

Este álbum é um trabalho sólido e acima da média. Contudo, não nos apresentam novos hinos como anteriormente, apesar de tentarem, com muito afinco. Gozam com eles próprios, tornando-se até ridículos (não esquecer que estamos perante a banda que nos criou a dúvida existencialista se seríamos humanos ou dançarinos…).

Desta vez, temos apontamentos líricos igualmente ridículos, tais como “You got the soul of a truck” em “Some Kind Of Love”, a balada do álbum que acaba por resultar melhor do que a letra faria prever. Ou em “Rut”, onde o grupo pede para não desistirmos deles. O vocalista continua a pedir para termos fé em “Life to Come”, ao som da bateria de Ronnie Vannucci, que brilha nesta faixa. A faixa que das 10 mais se destaca é sem dúvida “Run for Cover”, e aquela que se aproxima mais do hino que parecem procurar.

A faixa que dá nome ao álbum, e com a qual este se inicia, oferece-nos uma viagem épica e mística ao longo de cinco minutos e dez segundos, com Flowers a brilhar. “The Man” remete-nos para os falsettos do vocalista e um estilo mais passível de ser dançado.

“The Calling”, com a guitarra de Mark Stoermer muito pronunciada e as referências bíblicas que nunca podem faltar num álbum do grupo, é um registo estranho no conjunto do trabalho. A faixa que termina o álbum, “Have All The Songs Been Written”, é um exercício de auto-reflexão do grupo, que, depois do estrelato, se questiona quantas mais faixas são necessárias para chegar até nós.

Esta esquizofrenia de não saber que caminho seguir chega a ser constrangedora, pois deixa o ouvinte sem entender o que o grupo pretende do trabalho. Muito provavelmente será confiança. Contudo, os The Killers não são uma banda nova, têm já uma legião de seguidores, e, por vários momentos ao longo destes 5 álbuns, estiveram muito próximo da sacralização que outras bandas conseguiram. Assim, podem nem sempre saber o que pretendem, e decerto não agradar a todos.

Wonderful Wonderful adiciona mas não acrescenta. Falta a música que o grupo incessantemente continua a procurar. Esperemos que o próximo álbum seja capaz de nos oferecer o que tanto nos querem dar.

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