A Arte no MAAT – Pynchon Park de Dominique Gonzalez-Foerster

2 NOVEMBRO, 2016 -

O tão falado novo Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia – MAAT inaugurou no passado dia 5 de Outubro tendo sido alvo de alguma controvérsia. Os visitantes foram muitos e as opiniões também, mas uma opinião unânime foi a desilusão daqueles que visitaram o museu em busca de arte.

Apesar da inauguração das exposições O Mundo de Charles e Ray Eames e A Forma da Forma (enquadrada na Trienal de Arquitetura de Lisboa) no edifício da Central Tejo, no grandioso novo edifício, que se encontra ainda em construção, o público mostrou o seu desagrado pela falta de uma grande exposição de arte. De facto, quando visitamos este edifício, não encontramos a exposição que todos pareciam esperar, mas isso não significa que não haja arte no MAAT.

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Pynchon Park foi o resultado do convite feito à artista francesa Dominique Gonzalez-Foerster para criar uma obra site-specific que fosse de encontro ao tema Utopia/Distopia, que continuará a ser desenvolvido na futura programação do museu. Esta peça, que passou um pouco despercebida no alvoroço da inauguração, ocupa todo o espaço da Galeria Oval e faz o espectador questionar o modo como se vê uma obra e como se pode estar dentro desta, uma vez que a obra põe estes dois modos em ação.

Numa primeira instância o nosso lugar é o do espetador que observa uma obra de arte. Entramos, vemos o enorme sol projetado na parede à nossa frente e, quando olhamos para baixo, vemos a peça a ser ativada por outros visitantes que se movimentam entrem os enormes livros e as bolas de pilates que fazem parte desta. Este exercício reflete a observação que fazemos no quotidiano e aquela a que somos sujeitos, uma vez que ao descermos e entrarmos na obra somos também observados pelos visitantes que chegam ao museu funcionando também como um espaço de vigilância indireto. A questão da hipervigilância da sociedade contemporânea está então presente nesta instalação e também na obra de Thomas Pynchon, da qual Dominique Gonzalez-Foerster parte.

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Quando entramos no interior do Pynchon Park, a única porta de acesso ao exterior fecha-se e somos informados que só irá reabrir dentro de dez minutos, o que significa que durante esse tempo estamos encerrados na peça, como se estivéssemos dentro de uma gaiola.
No entanto começamos a sentir uma acalmia proveniente da relação com o som e a luz, que diminui progressivamente criando um ambiente mais intimista. Isto faz-nos sentir mais à vontade para desfrutar da peça e acabamos por nos esquecer que estamos a ser observados, tal como nos acontece no nosso dia-a-dia.

Passados os dez minutos podemos sair da peça que. na minha opinião, nos deixa a pensar sobre o mundo em que vivemos e como nos comportamos na sociedade contemporânea, indo esta obra para além da experiência estética. De facto, Pynchon Park não é a grande exposição de arte que toda a publicidade ao MAAT me fez pensar que seria, foi algo que não esperava, mas que me surpreendeu imenso pela positiva.

A entrada no MAAT é gratuita e pode visitar Pynchon Park de Dominique Gonzalez-Foerster até ao dia 20 de Março.

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Texto de Joana Leão
Fotografias de Diogo Caetano

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