A arte como meio de comunicação

13 DEZEMBRO, 2016 -

A arte é um poderoso meio de comunicação. São as cordas vocais que o artista preservou para desgastar todos os seus membros, desde os nervosos até aos motores, para dar forma e significado àquilo que produz. A partir desta construção, aparente contextualizada ou não, originou uma mensagem. O típico ditado que afirma que “uma imagem vale mais do que mil palavras” assenta que nem uma luva naquele que capta a objetividade subjetiva da criação artística. Apresenta-se uma dialética que converge aquele que fomenta o amor e o que ama. A arte tem o dom de, para além de emitir tanto quanto as palavras, arrecadar o sentimento. Leva-o a partir de si para todo o lugar. Ganha asas numa inspiração sem discriminação ou opressão.

A arte chega ao mundo das mais diversas formas. É um distintivo cultural que carateriza e formula aqueles que nascem nesta ou naquela comunidade. Influenciados pelas obras dos mais vários artistas, nasce esta forma de chegar ao outro. Uma forma mais simples, colorida mas que, não obstante, dá também origem a ambiguidades. As interpretações são várias e inconstantes, originando uma paleta de visões diferenciadas. Umas mais racionais, outras mais emocionais. É esta variedade que é produzida pela arte e que a linguagem muitas vezes não consegue. O discurso escrito e falado não consegue chegar lá por si só. Precisa de atrair, de trazer para junto de si aquele que é o seu interlocutor. Mesmo que não ouça, vê e sente. O sentimento nunca foge. Deixa-se estar e agrada pela experiência que regala a sua vista.

No entanto, e aquilo que fica para o foro interno, a arte é também meio que se expressa para o artista em si. É a forma que ele encontra para desbobinar tudo aquilo que sente. É um método que usa para se reencontrar e acertar aquilo que em si milita com as contas das representações. Dando contornos e cores às coisas que sente, talvez facilite aquilo que é o cruzamento dos mundos em que participa. Também o artista precisa de esclarecimento para conferir realidade ao que mais lhe lateja na sua personalidade artística. É a forma de dar forma para em si se formar. Completa a sua formação pessoal naquilo que consagra no que faz. É o passo final que se inicia na carreira do que pinta, do que esculpe, do que engenha, do que concebe, do que visualiza. Acima de tudo, naquele que se inspira e que sonha. O sentimento é o motor da razão, por muito que o contrário pareça estar confirmado e consolidado.

O que se repercute daquilo que o artista constrói é a empatia. Há muitos que se comovem, compreendendo aquilo que é expresso pela criação. Existe desde logo uma associação entre o criador e o apreciador, entre o artista de membros com o artista de mentes, dando largas à sua imaginação na construção de uma interpretação e na formalização de uma apreciação. Esta ligação nunca se quebra desde que é iniciada porque uma obra não se esquece. É das tais que se entranha no sentimento e que de lá não sai. É um dos elementos que faz parte de uma autêntica galeria de arte que se vai organizando no memorial de cada um. A expressão da arte não se limita àquilo que fica na tela ou na figura. A expressão artística fica armazenada também em todo o seu amante, em todo aquele que se declara sintonizado com a mensagem do artista.

Tudo isso é comunicação. Um valiosíssimo meio de comunicação. Tudo isso é uma forma mais ou menos discreta de fazer passar a mensagem que o criador pretende. Também este é um orador, embora recorrendo ao símbolo da imagem na arte da sua retorica. A visão é despertada, assim como uma vontade visceral de dar uso ao tato. Embora nem sempre seja possível este toque, a emoção promovida por ambas as partes da criação artística engole por completo a vontade de sentir com a ponta dos dedos e a palma das mãos. O coração sente-se realizado. Quando isto acontece, pouco mais pode ser exigido. É desfrutar de uma mensagem que é enviada num certo dia e que chega sem destino, muitas vezes de surpresa. Uma comunicação que fica e que ruma ao conforto do eterno.

Fotografia de capa de artigo: Detalhe da pintura de Michelangelo: ‘A criação de Adão’, na Capela Sistina

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