97 anos de Federico Fellini

20 JANEIRO, 2017 -

Hoje, recordamos um dos maiores cineastas de sempre. ‘Il Maestro’, como era conhecido o italiano nascido em Rimini, autor de filmes como ‘ La Dolce Vita’, ‘La Strada’ ou ‘ Le Notti di Cabiria’, é um dos realizadores que mais influência exerceu no cinema e em quem o faz.

Reconhecido pela poesia e pelo ambiente onírico que incutia aos seus filmes, o realizador é, juntamente com Luís Buñuel, um dos “pais” do movimento surrealista no cinema. Prova desse cunho surrealista são filmes como ‘Amarcord’, uma viagem nostálgica pelas memórias da infância do realizador passada em Rimini e ‘8 ½’, porventura a obra mais reconhecida do realizador. Em ‘8 ½’, fortemente influenciado pela leitura de Carl Jung, Fellini invoca uma narrativa repleta de sonhos familiares ao próprio realizador tendo como protagonista desse mesmo filme o reputado Marcello Mastroianni – protagonista de algumas das obras mais reconhecidas do realizador – na pele de Guido Anselmi, um realizador com uma crise de inspiração (personagem baseada no próprio Fellini) e com graves problemas nos seus relacionamentos.

Redactor de artigos de cunho satírico, cartoonista, autor de textos para rádio e filmes, ao longo da sua carreira cinematográfica o realizador, que fez parceria em muitos dos seus filmes com o consagrado compositor Nino Rota para belas bandas sonoras, foi ainda nomeado para doze Óscares sendo vencedor de quatro. Fellini ganharia ainda um Prémio Imperial, considerado quase como um Prémio Nobel, atribuído pela Associação de Arte do Japão, pelo seu trabalho e carreira no cinema.

Como todos os grandes génios, Fellini também teve a sua musa, a sua mulher Giulietta Masina, uma constante nos seus filmes, com quem estaria casado até à sua morte. Tal como Woody Allen (fortemente influenciado pelo realizador italiano) teve Nova Iorque e Dostóievski teve São Petersburgo também Fellini tinha o seu “palco” preferido, Roma, onde iria gravar outra obra-prima sua, ‘La Dolce Vita’ com Mastroianni e Anita Ekberg nos principais papéis.

De estilo inigualável, fortemente influenciado pelas experiências pessoais do próprio realizador, como os seus sonhos, as suas fobias, as suas memórias, todas espraiadas em obras suas pelo prazer de as expor ao público, Fellini influenciou alguns dos maiores nomes do cinema contemporâneo como o já citado Woody Allen (filmes como ‘Radio Days’, ‘Broadway Danny Rose’ ou ‘The Purple Rose of Cairo’ são homenagens ao italiano, explorando temas abordados por este ao longo da sua obra), David Cronenberg, Scorsese, Almodóvar ou o mais surrealista dos já citados e nome incontornável do estilo, David Lynch. Como acontece com todos os grandes nomes, também Federico Fellini terá a sua obra a perdurar no tempo. É isso que distingue as meras obras das obras-primas, o seu carácter de intemporalidade. Federico Fellini é, também ele, isso mesmo, intemporal.

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