#6 Essenciais do Cinema

13 SETEMBRO, 2016 -

Se estás a ler isto é porque chegaste ao “Essenciais do Cinema”– uma nova rubrica da CCA para quem quer descobrir um pouco mais. Com temáticas menos generalizadas, por vezes menos actuais mas igualmente relevantes. Com tudo isto, é normal que por aqui encontres – e temos mesmo de te avisar – mais texto. Bem-vindo ao “Essenciais do Cinema”.

Taxi Driver (1976)
Realizador: Martin Scorsese
Protagonizado por: Robert De Niro, Jodie Foster e Cybill Sheperd

Em 1976, Martin Scorsese apresentou ao mundo um taxista especial, capaz de nos prender ao ecrã com os seus desabafos.

Neste filme acompanhamos um homem, Travis Bickle, que ao regressar a casa depois de participar na guerra do Vietnam, torna-se taxista como resposta às suas insónias constantes e à sua solidão, sempre presente na sua vida. Travis através do seu táxi vai observando a sociedade. As ruas de Nova Iorque acabam por se tornar o espelho do que ele não gosta: prostitutas, ladrões, drogados, etc. Isto começa a construir um sentimento de revolta e uma enorme vontade de atuar para resolver o problema. Aos poucos vai tentando intruduzir-se na sociedade. No entanto, parece estar socialmente deslocado, a sociedade não o aceita bem. Ganha interesse numa rapariga, Betsey, que ele julga ser infeliz e começa a ter encontros com ela. Num deles foram ao cinema, mas Travis escolhe um filme porno, o que a levou a afastar-se dele. Betsey num dos ecncontros chega a dizer: “nunca conheci ninguém como tu”. Este sentimento pela personagem vai prolongando-se. Ele procura fazer parte da multidão e ser aceite, mas o seu comportamento é estranho e vai piorando com o tempo, sobretudo depois de Betsey afastar-se dele. Mais tarde, conhece uma prostituta muito jovem que julga ser triste, compra armas, começa a fazer musculação, rapa o cabelo deixando uma enorme e icónica crista e escreve no seu diário. Travis não teme a morte e segue um caminho solitário de violência, na tentativa de limpar a “porcaria” que vê nas ruas.

Durante todo o filme, existe uma incrível harmonia entre o guião, o som e a imagem. É importante deixar uma nota de realce ao trabalho que Bernard Herrmann fez com a banda sonora que flui com uma agradável suavidade, mesmo quando o filme já terminou. Depois de vermos Travis a manifestar-se, ficamos com uma dúvida que estes 40 anos desde a estreia do filme não conseguiram responder: Travis Bickle é um herói ou um vilão? A resposta a esta pergunta divide opiniões. No entanto, é sensato dizer que estamos perante um filme intemporal, ou seja, a dúvida e o encantamento por ele continuará.

Da minha parte, quando acabou o filme fiquei a pensar: You talkin’ to me?

Texto de Pedro Fernandes

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