3º dia de Super Bock Super Rock

17 JULHO, 2016 -

Slow-J

Abriu o palco Antena 3 num dia de Super Bock Super Rock mais dedicado ao hip hop, e não o podia ter feito de melhor forma. Um mar de gente para ver o rapper originário de Setúbal (“sou do Sado” como refere a música Pai eu) e a emoção era imensa por ver que havia correspondência de carinho e entusiasmo para o ver, a ele que se estreava nestas andanças de festivais e logo com a responsabilidade de abrir um dos palcos. Não tremeu e Cristalina do seu EP The Free Food Tape ou Vida Boa foram dos momentos da tarde cantado pela maioria que lá marcou presença que terminou da melhor forma com Portus Calle.

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Kelela

Numa plateia inicialmente pouco composta, foi curioso ver o público a aumentar de número com o avançar. Para isso não contribuíram apenas a entrada de mais pessoas no recinto (estava uma fila algo grande para a entrada, pareceu existir alguma falta de preparação da organização para receber tanta gente), mas também a qualidade da americana que encantou com o seu R&B electrónico com laivos de FKA Twigs. Interagindo diversas vezes com o público, quer para explicar as circunstâncias onde tinha escrito determinada música, quer para agradecer a presença de tanta gente, saiu de palco como sendo uma clara aposta ganha.

Mike El Nite

Mike El Nite deu continuação à excelente abertura de palco por parte de Slow-J. Com letras mais musculadas e de rápida dicção, Mike El Nite provou o estatuto que já conquistou junto da comunidade como um dos melhores rappers que temos actualmente no nosso país. Para o escutar não arredaram pé aos que já lá marcavam presença. Mike El Nite é já mais que um rapper, é uma carismática personalidade.

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Orelha Negra

Apesar da qualidade no instrumental e de algumas passagens por músicas de Mind da Gap ou até mesmo Drake, e de meter inclusive toda a gente a dançar, pedia-se mais para abertura do palco principal. Num dia em que a voz e a mensagem é tão importante como no hip hop, escolher um grupo que é sobretudo instrumental é uma aposta arriscada, e assim se revelou, apesar da grande plateia que estava para assistir. Faltaram cordas vocais para puxar pelo público. Disto nada invalida serem dos melhores projectos do género criados no nosso país.

Salto

Para ver o conjunto português, juntou-se algum público no Palco Antena 3, que fez, durante o festival, um bom trabalho em mostrar artistas firmados e em ascensão na música portuguesa. Aliás, é de louvar que num festival deste tamanho tenham estado a actuar ao mesmo tempo, nos 3 palcos a funcionar durante o dia, 3 artistas portugueses (Orelha Negra, Salto e Capicua). Quanto ao concerto, foi sólida, uma amostra daquilo que a banda é capaz, não só numa abordagem mais rockeira, mas também com uma fase final do concerto mais virada para a electrónica.

De La Soul

O concerto de Kendrick aproximava-se e o número de pessoas na expectativa enquanto viam De La Soul era imenso. Foi em grande parte por isso que o concerto desiludiu. Não tanto por terem dado um mau concerto, mas porque não deram um suficientemente bom. As constantes pausas em músicas e interlúdios em que os 2 MCs tentavam fazer uma competição entre qual dos lados do público (o de um ou o do outro) fazia mais barulho foram tantos que começaram a cansar profundamente. Pedia-se que tocassem as suas músicas e não que repetissem o mesmo jogo a cada 5 minutos. Perante um público que revelava pouco conhecimento das músicas dos De La Soul, o momento alto foi mesmo a última música, a sua colaboração com os Gorillaz, Feel Good Inc.

Kendrick Lamar

E eis que chega o momento mais esperado da noite e, provavelmente, de todo o festival. Com a frase de George Clinton ‘Look both ways before you cross my mind‘ projectada atrás de si e uma banda para o ajudar a transportar toda a arena para um mundo de Hip-Hop misturado com Soul, Jazz e R&B, Kendrick Lamar entra em palco ao som de untitled 7 | 2014-2016 e começa Backseat Freestyle, para uma libertação de furor de toda a plateia e bancadas. Num ritmo alucinante, o rapper de Compton leva-nos pelos hits de good kid, m.A.A.d city, com o público todo em uníssono e em perfeita comunhão a acompanhar Kendrick por Bitch, Don’t Kill My Vibe, Swimming Pools (Drank) e m.A.A.d city, mas também do mais recente (sem contar com untitled unmastered) To Pimp a Butterfly, obra que transportou o rapper para um nível estratosférico. Músicas como King Kunta, i, Institutionalized e Hood Politcs e, no final, para encore, Alright, hino de libertação e de esperança por um tempo melhor, onde as tragédias do momento possam ser ultrapassadas, a deixar em todos uma sensação catártica, no final daquele que foi, sem dúvida, o melhor e mais avassalador concerto da edição deste ano do Super Bock Super Rock.

klk

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