2º dia de Super Bock Super Rock

16 JULHO, 2016 -

Pás de Problème

A “real padrada” dos Pás de Problème abriu o Palco EDP no segundo dia de Super Bock Super Rock e serviu como um bom aquecimento (pelo menos físico) para o dia de festival que começava. Exótico, excêntrico, inclassificável (uma espécie de Gogol Bordello com muita coisa à mistura) enquanto estilo musical, meteu eléctricos os que lá estavam.

Basset Hounds
Quase ao mesmo tempo de Pás de Problème tínhamos o rock n’roll bem composto e musculado no Palco Antena 3, na outra ponta do recinto, por parte da banda de lisboeta. Talvez pelo oposto – não apenas geográfico – que acontecia no outro palco, o público foi aderindo aos Basset Hounds e estes não desiludiram com a sua “raça” e pujanças musicais.

Petite Noir

O Sul-Africano chegou a palco cheio de vontade de trazer o público até si, interagindo e elogiando Lisboa por diversas vezes. Com a sua banda de apoio, todos vestidos de preto menos o próprio Yannick Ilunga, levou-nos numa viagem por entre os ritmos electrónicos africanos, enquanto a sua voz enchia o Palco EDP. O momento alto ficou para o fim, com o single Chess a por toda a gente a abanar-se e a trautear com a banda.

1

Pista

Enérgicos e o que se pedia para um final de tarde em grande que servisse de aperitivo para a noite que aí vinha. Com a colaboração de Alex D’Alva Teixeira que surgiu em palco para cantar dois temas, os Pista meteram toda a gente a dançar e a celebrar o Verão e a boa disposição (com piadas sobre o Pokémon Go à mistura). Um dos momentos do dia.

Kwabs

O soul do britânico-ganês Kwabs que saltou para a ribalta por ver a sua música “Walk” fazer parte da soundtrack do simulador de futebol FIFA, conquistou o palco EDP no início da noite. Prejudicado pelo horário onde foi colocado (a maioria aproveitou a hora para jantar ou ir guardando lugar para Bloc Party), Kwabs e a sua banda foran derretendo os que lá estavam com a sua voz e dos seus back vocals.

Bloc Party

Um dos concertos mais aguardados da noite e que acabou por corresponder às expectativas dos milhares que, apesar de não estarem propriamente lá para ouvir os últimos álbuns, estavam em sintonia com a banda de Kele Okereke. O quarteto que já não é o original e que tem sofrido mexidas ao longo dos últimos anos, assim como a intermitência do vocalista que tem alternado com a sua carreira a solo (cujos sons mais electrónicos e experimentais se fazem notar nos últimos trabalhos da banda) não impediu de meter o público a saltar em “Hunting For Witches”, “Banquet” ou “Flux” assim como músicas do recente albúm Hymns.

2

Rhye

Num festival onde, fruto da sobreposição de horários, vários artistas estavam com os seus concertos sobrepostos entre si, era muito difícil ver concertos completos. Assim sendo, quando escolhemos ir ver algo em detrimento de outra coisa, inevitavelmente esperamos que, durante o tempo que temos disponível, esse concerto nos dê os momentos aos quais mais queríamos assistir. Precisamente por isso Rhye deixa uma sensação agridoce. Se, num concerto como o dado no Lux no ano passado, a banda tinha todo o tempo e espaço para prolongar músicas, baixar o ritmo das mesmas, introduzir variações, num festival com tempo muito limitado, fazê-lo acaba por ser bastante arriscado. Mesmo com momentos de enorme beleza, ficava a pedir-se algumas músicas no seu ritmo original, mais dançável e menos relaxante.

Iggy Pop

Se alguém duvidava do elevado índice de felicidade da população portuguesa, então o Super Bock Super Rock desfaz as dúvidas. No festival foi possível sentir uma atmosfera de felicidade extra, nomeadamente, depois das mais recentes conquistas desportivas nacionais. Esta semana ficará para sempre na minha memória, imediatamente depois de ser campeão europeu em tudo e mais alguma coisa (atletismo, columbofilia incluídos), toquei no Iggy Pop, provavelmente, a maior lenda viva do rock n’ roll.

Passavam poucos minutos depois das 22 horas quando James Newell Osterberg e a sua banda sobem ao palco principal do festival. Como sempre, de skinny jeans e um tronco nu, característico e carregado de histórias ao longo dos seus 69 anos. Obviamente, recebido em êxtase pelos poucos milhares que ali o esperavam, entra de rompante com “No Fun”, aumentando gradualmente o nível de euforia do público. Seguiram-se “I Wanna Be Your Dog”, “The Passenger” e “Lust For Life”, que arrancaram da plateia cânticos em uníssono ao mesmo tempo que os esqueletos tentavam acompanhar o andamento de Iggy Pop. O alinhamento continuou pela sua discografia a solo em “Five Foot One”, “Sixteen” e “Skull Ring”. No regresso a temas dos The Stooges com “1969” a plateia aderiu novamente à energia de Iggy Pop, que se elevava em palco a cada música que passava. Correu para o fosso onde cumprimentou e abraçou todos os “bad boys” que se encontravam nas primeiras filas e com eles gritou ao som de “Real Wild Child”. A calma chega com “Nightclubbing”, o animal de palco amansa e senta-se numa cadeira como que seduzindo quem assistia. Depois de “Some Weird Sin”, rebenta “Mass Production”, pesada mas mais pausada, voltando assim ao seu álbum de estreia “The Idiot”.

Seria a música perfeita para terminar, no entanto, Iggy Pop e a sua banda regressam para um encore com “Repo Man” e, seguidamente, pelo mais recente trabalho de estúdio com “Sunday”. Na despedida o regresso aos The Stooges com “Search and Destroy”, a música que faltava no concerto daquele que foi, certamente, a estrela da noite. Acenos, vénias, palmas e gritos por “Iggy”, foi neste cenário que o “wild child” abandonou o palco Super Bock.

Fãs rendidos depois de um concerto repleto de clássicos transversais a todos os álbuns a solo e com os The Stooges. Ficou bem claro naquele palco que, apesar de sexagenário, Iggy Pop, continua a ter o andamento de muitos jovens. Deixou-se amar, tocar, cumprimentar e chamou-nos nomes. Ele está bem vivo e um patamar acima dos comuns mortais.

3

Mac DeMarco

Naquele que foi provavelmente o melhor concerto da noite (e dia), Mac Demarco e toda a sua banda – em estreia na capital portuguesa – entreteram, encantaram, e levaram à loucura as várias centenas que abdicaram de ver Iggy Pop para assistirem ao fenómeno de popularidade que é o canadiano. Sempre com um gingar próprio com uma grande pitada de humor o mote foi dado logo no soundcheck descontraído, enquanto afinava a guitarra, bebia a sua cerveja e fumava o seu cigarro e que terminou com um anúncio de que já vinham porque tinham de ir à casa de banho. À chegada, Rory Mccarthy tirou as calças, ficou de vestido, e a partir daí a banda nunca mais parou. Ora através de um concurso de gargalhadas ou num instrumental electrizante enquanto voavam sticks coloridos e se fazia desde cedo crowdsurfing, não faltou “Salad Days” a que se sucederam várias “outras canções de amor” como “I’ve Been Waiting for Her”. Não faltou a “Freaking Out The Neighborhood” ou “Ode to Viceroy” num concerto fantástico em que não se parou de dançar.

Massive Attack & Young Fathers

Começando com United Snakes, trazendo Azekel para Ritual Spirit e Pray for Rain, chega a altura de interpretar Voodoo in my Blood, colaboração com os Young Fathers, ao que se seguem vários temas destes interpretados em conjunto em palco. Pelo meio, projecções com imensas referências à actualidade. Desde projecções de notícias (em português), onde era clara a sobreposição entre os temas ditos “sérios”, como os recentes atentados, e os fúteis, como a ida de férias de Cristiano Ronaldo; à sobreposição de diversas bandeiras associadas à recente vaga de terrorismo, como as da Arábia Saudita, dos Estados Unidos da América e da Turquia; ou aos Je Suis Charlie/Paris/Bruxelles/Orlando/Nice/Istambul/Bagdad/Bangladesh, que arrancam aplausos do público e preparam para o final do concerto, que termina com um gigante Estamos Juntos sobreposto a imagens de refugiados. O que assistimos foi um autêntico manifesto, músico e político.

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