1º dia de Super Bock Super Rock

15 JULHO, 2016 -

Surma

Não é possível classificar o carisma e a forma como Débora Umbelino aka Surma nos conquista e apaixona, mas isso tão pouco interessa, o importante é que acontece. Com o nervosismo normal de alguém que se estreia nestas lides e vai abrir um festival como o Super Bock Super Rock, Surma depressa ultrapassa e nos faz ultrapassar esse factor. A sua voz angelical acompanhada de uma harpa de tons celestiais e electrónica conjugada na perfeição arrebatou os corações de quem viu. Quem não viu não tem ainda bem a noção do que perdeu, mas esperemos não faltarem oportunidades para que possam colmatar essa falha e continuar a seguir o trabalho da talentosa artista de Leiria. Um belo início de tarde.

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Lucius

Não é só no estilo que a dupla de vocalistas formada por Jess Wolfe e Holly Laessig está em sintonia. O pequeno atraso da banda de Nova Iorque e um início de actuação em que tanto a banda como o público se passavam a conhecer melhor não impediu que à sua segunda música já estivesse tudo a aplaudir. “Madness” e “Turn It Around” abriram o caminho para um dos vários momentos altos do concerto em que Jess e Holly provam que se conjugam na perfeição ao cantarem “Dusty Trails” lado a lado (como em todo o concerto, mas desta vez juntas) de forma enternecedora à qual o público ficou rendido.

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Benjamim

O pop-rock nostálgico de Benjamim (alter-ego de Luís Nunes) agarrou-nos pelo “sangue” (se acham que é referência a uma música do cantor estão puramente… certos) já ao final da tarde no palco Antena 3.  A música de Benjamim além de boa e com mensagem é uma música “veraneante” – se assim se pode dizer – na medida em que facilmente nos imaginamos de óculos de sol e cerveja na mão enquanto batemos o pé e sentimos que a letra está lá muito mais do que para formar um conjunto de palavras musicável. A letra de Benjamim está lá porque é nostalgia, reflectindo pensamentos e vivências. Um outro tipo de música de intervenção, de música dos tempos do colonialismo como exala “O Quinito foi para a Guiné”.

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Não há como dar a volta. Apesar de começar quase ao mesmo tempo de The Temper Trap (e das pessoas que já queriam um bom lugar para The National), o público queria ainda assim ver uma das melhores bandas nacionais. E foi uma excelente decisão. Com um instrumental portentoso iniciaram um concerto que comprova a acentuada qualidade que um reportório construído ao longo dos anos nos tem trazido no panorama nacional. O condão electrónico da banda, esse, levam-nos a outras paragens e manda-nos para o espaço, onde não há fronteiras nem impedimentos nesta experiência quase espiritual que é ouvir o quinteto. Não são de outro Mundo, mas levam-nos até lá.

 

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The Temper Trap

Dougy Mandagi referiu a certa altura a falta de hábito da banda australiana em espaços como o MEO Arena. Disto se retira o crescimento e o à vontade que a banda liderada pelo dançante vocalista foi ganhando ao longo do concerto em que nos trouxe temas já mais conhecidos assim como alguns mais recentes do seu novo albúm “Thick as Thieves”. Se por altura em que Dougy ficou de t-shirt e se soltou, agradecendo o apoio do público e fazendo referência à conquista futebolística da selecção das quinas, a actuação explodiu no final com a voz do vocalista em todo o seu esplendor e capacidade (e que capacidade!) em “Sweet Disposition”, porventura a música mais conhecida da banda australiana.

Kurt Vile

Por volta das 21h20 (os concertos atrasaram todos durante este 1º dia), Kurt Vile sobe ao Palco EDP enquanto o sol se põe; e como são bons estes pores-do-sol estivais ao som das guitarradas do americano e da banda que o acompanha. Começando com Dust Bunnies e seguindo com I’m an Outlaw, o alinhamento incidiu sobretudo sobre o mais recente b’lieve i’m goin down…, do ano transacto, mas teve também os seus momentos de discos antigos, como uma versão mais acústica e lenta da épica Wakin on a Pretty Day. O público foi abanando a cabeça e as ancas, embalado, e entoando as músicas que sabia, nomeadamente Pretty Pimpin, momento no qual ninguém conseguiu ficar parado. Numa prestação bem melhor e mais calorosa que aquela que tínhamos visto em Paredes de Coura no ano de 2014 (entretanto ele já tinha voltado o ano passado a solo), Kurt Vile saiu com nota positivíssima do Palco EDP.

The National

Já foi quase tudo dito sobre os National, que são uma grande banda ou uma banda aborrecida, que se esgotaram no Boxer, que são comerciais ou que o vocalista Matt Berninger não consegue cantar ao vivo ou que está sempre embriagado. O que ninguém poderá duvidar é da entrega da banda em todos os concertos que dá. Ontem não foi excepção e assistimos em êxtase à entrega de uma banda que já nos visitou vezes sem conta e que, aparentemente, não nos cansamos de ver. Sem álbum novo para apresentar, o concerto foi marcado pela interpretação de duas músicas novas (The Day I die e I’m gonna keep you [esta última nunca antes tocada ao vivo]) e por várias outras músicas quase obrigatórias, como Bloodbuzz Ohio, Slow Show ou Fake Empire. Terminando com a Vanderlyle Crybaby entoada pelo público e com os microfones desligados, ficámos com a certeza de que aquele foi o concerto da noite e que os The National são a banda que terá sempre um significado especial para nós.

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© CCA

Jamie xx

Num DJ set, onde passou pelas suas próprias músicas, do álbum In Colour, mas também por versões de outros artistas, como Drake, Jamie xx encantou. Sozinho em palco com as suas máquinas, o britânico, membro dos the xx, transformou o Palco EDP numa pista de dança enquanto a noite ainda era uma menina (de elogiar a decisão da organização de não colocar todos os DJs no final da noite). Mesmo com alguns pequenos momentos mortos, de transição entre músicas, a festa fez-se, principalmente quando se ouviram as grandes Gosh, Loud Places e I Know There’s Gonna Be (Good Times).

Disclosure

Saindo embalados do maravilhoso concerto de Jamie xx, rumámos ao Palco Super Bock (vulgo MEO Arena) para assistir a Disclosure. Dada a enorme afluência de pessoas de um dos concertos para o outro, acabámos por chegar tarde de mais para apanhar a primeira música do concerto, a grande White Noise, que deve ter animado enormemente quem por lá dentro já estava. Mas, chegando durante a F for You, ainda conseguimos apanhar parte da festa. De seguida, e como prenúncio do que se seguiria, uma falha técnica no início da primeira música de Caracal (o mais recente álbum) no alinhamento, obriga a uma paragem de cerca de cinco minutos. O público perde, inevitavelmente, um pouco mais do ritmo e, quando os dois irmãos Lawrence regressam a palco, o ritmo não torna a ser semelhante. Mesmo trazendo ao palco Kwabs (que irá actuar hoje) para interpretar Willing and Able e Brendan Reilly para Moving Mountains, a desilusão manteve-se. A culpa não parece ser tanto da tal quebra de ritmo, mas mais de uma clara aposta num alinhamento recheado dos temas do último álbum que, não sendo maus, são claramente inferiores aos do grande álbum de estreia Settle, onde se encontram White Noise e Latch, por exemplo. Foi essa mesma Latch que fez o público todo vibrar, na despedida da banda que, digo eu, se espera que regresse da próxima vez com um álbum mais forte.

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