198 anos de Emily Brontë

30 JULHO, 2016 -

Brontë é um habitual apelido que nos surge sempre que falamos de literatura inglesa e conhecida como uma “típica” família do século XIX, na região Yorkshire, Inglaterra. Parecia ser mais uma família inglesa, até que a suas imaginações se expandiram para além das folhas de palavras, dos pensamentos esvoaçantes e das barreiras da expressão.

As irmãs Brontë, são conhecidas e as suas obras reconhecidas além fronteiras. Anne, Emily e Charlotte são nomes que nos ficam, tanto pela sua emancipação intelectual como pela sua audácia de se auto afirmarem num século atribulado para uma nova geração de escritoras.

Patrick Brontë, pai de cinco raparigas e um rapaz, viu-se completamente consumido e aterrorizado pela ideia de não puder dar uma boa educação aos seus filhos. Faziam parte de uma família de classe média, mas que não conseguia providenciar a própria educação que desejava para as duas filhas.

Apesar de terem frequentado uma escola, Clergy Daughters’ School em Cowan Bridge, esta não lhes providenciava a educação mais correcta. Em 1825 duas das irmãs mais velhas, Maria e Elizabet, acabam por adoecer e morrer de turbeculose. Nessa mesma altura Charlotte e Emily foram retiradas da escola, e retornaram a Haworth. Todo este trauma inspira Charlotte a escrever e a se expressar, a conhecida obra “ Jane Eyre” contém uma personagem que se assemelha à sua irmã falecida, Maria, algo que marcou a autora profundamente.

As crianças já tinham perdido a mãe, vítima de uma doença, passando parte do tempo sozinhas. Esta solidão criou em cada um deles um imaginário único, secreto e expressável. Todos estes traumas de crescimento na vida das irmãs Brontë, facilitou o amadurecimento para uma escrita sentimental e para um dom para o storytelling nato que ao que parece corre nos genes. Emily e suas irmãs passaram a maior parte do tempo lendo e compondo pequenos textos, sendo daqui que cresceu o talento das irmãs Brontë para a literatura.

Mais tarde Emily e Charlotte frequentam Miss Wooler’s School, uma escola mais dispendiosa mas que mantinha as expectativas altas, tanto que mais tarde Charlotte foi convidada para ser assistente dos professores. Emily não se adaptou ao meio e passado algum tempo regressou para Hawort.

Emily é a mais tímida. desconfiada e introvertida das suas irmãs. Constantemente se isola de presenças humanas e habita no seu próprio mundo imaginário. Emily nasceu a Julho de 1818, era a quarta das irmãs, e escrevia sob o pseudónimo de Ellis Bell.

Com 29 anos lança, a sua obra mais conhecida, “Wuthering Heights”, no ano de 1847. Um ano mais tarde ao lançamento do livro, a escritora falece deixando para trás o seu único romance escrito e muitas outros poemas e contos.

Este livro nunca foi compreendido na sua totalidade mas tornou-se um clássico da literatura inglesa, com direito a várias adaptações do cinema à musica , entre eles a conhecida música “Wuthering Heights” composta e interpretada por Kate Bush.

Como a própria letra da música diz, o livro centra-se nas personagens de Heathcliff e Cathy para a maior parte dos leitores. É um livro bastante complexo, já que contém bastantes personagens e as suas ligações familiares não sendo um livro muito fácil de adaptar para o cinema, ao contrário do livro da irmã Charlotte, “Jane Eyre” que parece que foi escrito propositadamente para o cinema. É um livro exigente que expressa o romance entre Cathy e Heathcliff, e todas as consequências que isso traz.

Tem como temáticas o incesto, a vingança, o amor vs dinheiro, a fuga e a privação, entre outros. Foi um livro mal recebido na altura pelos críticos que achavam o livro indomável, meio indisciplinado e escrito por uma mulher. Coisas que na altura perturbavam algumas pessoas das pequenas elites ditas “intelectuais”.

É um livro que deixa a opinião do público dividida, por ser tão ambíguo e possuir sentimentos bastante pesados, melancólicos e depressivos. Criou alguma polémica já que o livro é um pouco violento, intenso e rústico, todas estas características são associadas a traços masculinos, na altura. O livro foi tratado como se fosse impossível ser escrito por uma mulher, já que estas eram representadas como seres sensíveis, delicados e angelicais. Emily contrariou uma tendência que se vivia na altura, e provou que a imaginação não tem género.

198 anos após o nascimento de Emily, continuamos a achá-la uma pessoa inovadora, que desperta curiosidade e os seus poemas e livros deixam o leitor mergulhar numa atmosfera complexa e obscura de uma mente completa e de um coração ferido.

Imagem de The Toast.

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