12 sugestões de leitura para o Verão

8 JULHO, 2017 -

Qualquer altura do ano é sempre boa para a leitura, embora o Verão traga consigo mais tempo livre dedicado a esta tão proveitosa prática. De acordo com o Dicionário dos Símbolos, de Jean Chevalier e Alain Cheerbrant  (editado pela teorema), a sucessão das estações, assim como das fases da Lua, marca o ritmo da vida, as etapas de um ciclo de desenvolvimento: nascimento, formação, maturidade, declínio; ciclo que se ajusta tanto aos seres humanos como às suas sociedades e civilizações. As estações ilustram também o mito do eterno retorno, a alternância cíclica e o perpétuo recomeçar. Portanto, este artigo pode servir como mote para um recomeço ou um início, não dependendo obrigatoriamente do Verão.

Ao longo deste ano temos lido vários livros e elaborado várias críticas literárias, decidimos assim compilar aqueles que são para nós os melhores livros:

‘Canção Doce’ de Leila Slimani 

Mãe de duas crianças pequenas, Myriam decide retomar a actividade profissional num escritório de advogados, apesar das reticências do marido. Depois de um minucioso processo de selecção de uma ama, o casal escolhe Louise. A ama rapidamente conquista o coração dos pequenos Adam e Mila e a admiração dos pais, tornando-se uma figura imprescindível na casa da jovem família.
O que Myriam e Paul não suspeitam – ou não querem ver – é que a sua pequena família é o único vínculo de Louise à normalidade. Pouco a pouco, o afecto e a atenção vão dando lugar a uma interdependência sufocante, com o cerco a apertar a cada dia, até desembocar num drama irremediável.
Com um olhar incisivo sobre esta pequena família, Leila Slimani aponta o foco para um palco maior: a sociedade moderna, com as suas concepções de amor, educação e família, das relações de poder e dos preconceitos de classe. Com uma escrita cirúrgica e tensa, eivada de um lirismo enigmático, o mistério instala-se desde a primeira página, um mistério que é tanto sobre as razões do drama como o das profundezas insondáveis da alma humana. (Ler crítica)

‘Por Que É Que as Bailarinas não Ficam com a Cabeça a Andar à Roda?’ de Filomena Naves e Teresa Firmino 

Porque temos às vezes sensações de déjà vu? E por que é que há pessoas que ouvem sons às cores? Por que é tão difícil deixar de fumar? Ou o que é a inteligência? O elo comum a estas perguntas e a todas as que vai encontrar neste livro – e às respectivas respostas – é o nosso cérebro. É dele, dos seus cerca de 85 mil milhões de neurónios, mais de cem mil milhões de outras células e dos muitos biliões de conexões que se estabelecem entre elas, que emanam as explicações para todos os nossos comportamentos, gostos, humores e emoções. Ou não fosse o cérebro a sede de tudo o que somos, percebemos, inventamos ou criamos. É sobre isso este livro das jornalistas Filomena Naves e Teresa Firmino: sobre essa complexidade que faz de nós o que somos, e que nos é desvendada pela ciência através dos muitos estudos feitos por neuro-cientistas de todo o mundo, incluindo de Portugal. As perguntas estão aí, com as suas respostas. Em muitos casos, elas são ainda provisórias, incompletas, mas a ciência e o conhecimento são mesmo assim: nascem de um processo de construção permanente, que nunca está verdadeiramente terminado. (Ler crítica)

‘Apanhados pela Revolução’ de Helen Rappaport 

A história de uma revolução que abalou o mundo, contada segundo uma perspetiva inteiramente nova – a dos cidadãos estrangeiros que se encontravam em Petrogrado nos dias de 1917 em que a história era feita nas ruas. Entre a primeira revolução em fevereiro de 1917 e o golpe bolchevique de Lenine em outubro, Petrogrado (a antiga Sampetersburgo) só conheceu turbulência. Os visitantes estrangeiros que enchiam hotéis, bares e embaixadas estavam cientes do caos que os rodeava. Entre eles encontravam-se jornalistas, diplomatas, homens de negócios, governantas e enfermeiras voluntárias. Muitos deles mantiveram diários e escreveram cartas para casa: da enfermeira inglesa que sobrevivera ao naufrágio do Titanic, passando pelo criado negro do embaixador norte-americano, até à dirigente sufragista Emmeline Pankhurst, que fora a Petrogrado para conhecer o indomável «batalhão da morte» feminino. Baseando-se nos testemunhos dos cidadãos estrangeiros que assistiram ao desenrolar do drama, Helen Rappaport conduz-nos ao próprio cerne da ação – para vermos, sentirmos e ouvirmos a Revolução, tal como aconteceu. (Ler crítica)

‘Cartas de Amor e de Guerra’ de Mikhail Chichkin

Mikhail Chichkin, o mais célebre autor russo da sua geração, criou a história de dois amantes: Vladímir, um soldado a lutar na China em plena Rebelião dos Boxers, e Aleksandra, que vive e trabalha em Petersburgo. Ambos se correspondem apaixonadamente, e as suas cartas lêem-se como uma homenagem contrapontística à força transcendental do amor. Em Cartas de amor e de guerra, as coisas e as experiências surgem transfiguradas na linguagem poética de dois amantes separados não só pela geografia mas também pelo tempo. (Ler crítica)

‘A Amiga Genial’ de Elena Ferrante

A Amiga Genial é a história de um encontro entre duas crianças de um bairro popular nos arredores de Nápoles e da sua amizade adolescente.
Elena conhece a sua amiga na primeira classe. Provêm ambas de famílias remediadas. O pai de Elena trabalha como porteiro na câmara municipal, o de Lila Cerullo é sapateiro.
Lila é bravia, sagaz, corajosa nas palavras e nas acções. Tem resposta pronta para tudo e age com uma determinação que a pacata e estudiosa Elena inveja.
Quando a desajeitada Lila se transforma numa adolescente que fascina os rapazes do bairro, Elena continua a procurar nela a sua inspiração.
O percurso de ambas separa-se quando, ao contrário de Lila, Elena continua os estudos liceais e Lila tem de lutar por si e pela sua família no bairro onde vive. Mas a sua amizade prossegue.
A Amiga Genial tem o andamento de uma grande narrativa popular, densa, veloz e desconcertante, ligeira e profunda, mostrando os conflitos familiares e amorosos numa sucessão de episódios que os leitores desejariam que nunca acabasse. (Ler crítica)

‘O Coração é um Caçador Solitário’ de Carson McCullers

O Coração É Um Caçador Solitário foi o primeiro livro escrito por Carson McCullers, quando tinha 23 anos. Depressa se tornou uma referência na literatura do século xx.

No sul dos Estados Unidos, numa vila da Georgia nos anos 30, num cenário desolado de intolerância racial e isolamento, John Singer, um surdo-mudo, torna-se de súbito confidente de um grupo de personagens marginais quando o seu único amigo, também surdo-mudo, é institucionalizado e a sua rotina se altera. Mick Kelly é uma adolescente, apaixonada pela música, sonha compor sinfonias e é filha dos proprietários da pensão onde Singer vive; Jake Blount é um agitador socialista que passa os dias alcoolizado; Biff Brannon é o desiludido proprietário de um pequeno café com desejos sexuais ambíguos; e Benedict Copeland é um médico negro que luta, em vão, pela igualdade racial. Todos sentem que não encaixam nos papéis que a sociedade lhes reservou, todos procuram à sua maneira preencher o vazio deixado pelos sonhos perdidos — e todos, por algum motivo, acham que Singer os compreende. Mas o impassível Singer procura apenas em cada visita arrancar o seu amigo à indiferença… (Ler crítica)

‘Yoro’ de Marina Perezagua

«Concluí que, se tivesse de escolher um nome para nós, escolheria “os que trazemos a bomba dentro de nós”, dado que a manhã em que um bombardeiro B-29 lançou o Little Boy em Hiroxima foi só o início da detonação. Noventa por cento de todo o mal que sofreríamos, nós, os sobreviventes, iria sendo doseado minuto a minuto, mês a mês, ano a ano, emprenhando-nos desse mal que, se fosse abortado, seria só para nos abortarmos com ele.» Yoro é uma odisseia assombrosa pelos lugares mais profundos e negros da mente humana. Ecoando Dom Quixote, Wim Wenders e Herzog na sua tensão narrativa, este romance é a busca de uma mulher por identidade, justiça, compaixão e maternidade. H, a narradora e protagonista, confessa um crime nas primeiras páginas. E, em tom desafiante, continua, pedindo ao leitor que se atreva a ler a sua história, a sua confissão. H nasce em 1945, no momento da explosão da Little Boy sobre Hiroxima. Anos depois H conhece Jim, um soldado norte-americano que procura, desde a guerra, uma criança que lhe foi entregue e depois retirada: Yoro. Apaixonados, percorrem o mundo seguindo as mais ténues pistas, até que, na viagem final, a verdade — complexa e perturbadora — revela o crime de H e a sua razão. Torrencial, cru, pendendo entre polos opostos — amor e desespero, encontro e confusão, descoberta e prisão —, Yoro carrega nas suas páginas o caos pós-Segunda Guerra Mundial, o encontro frontal com a sexualidade e o mundo, a violência da linguagem e da lógica. (Ler crítica)

‘Crónicas de um Vendedor de Sangue’ de Yu Hua 

Um dos dez livros mais influentes da última década na China, este romance, escrito por um dos mais importantes autores chineses contemporâneos, narra-nos como foi viver sob o governo do presidente Mao. (Ler crítica)

A Vida Invisível de Eurídice Gusmão’ de Martha Batalha

Quando Guida Gusmão, perdida num amor proibido, desaparece da casa dos pais sem deixar rasto, a irmã Eurídice prometeu ser a filha exemplar, a que nunca faria algo que trouxesse novo desgosto aos pais. E Eurídice torna-se a dona de casa perfeita, casada com Antenor, um bom marido, apesar de tudo, ou apesar do nada em que a vida de Eurídice se tornou.
A vida de Eurídice Gusmão é em muito semelhante à de inúmeras mulheres nascidas no início do século XX e educadas apenas para serem boas esposas. Mulheres como as nossas mães, avós e bisavós, invisíveis em maior ou menor grau, que não puderam protagonizar a sua própria vida.

Capaz de abordar temas como a violência, a marginalização e até a injustiça com humor, perspicácia e ironia, Marta Batalha é acima de tudo uma excelente contadora de histórias que tem como principal compromisso o prazer da leitura. (Ler crítica)

‘O Meças’ de Rentes de Carvalho

Uma história de violência, em que a progressiva definição dos contornos da memória trará novas e dolorosas verdades. Romance inédito, nele se conta a história de António Roque, homem atormentado, possesso do demónio de funestas memórias. As imagens do passado que regularmente se apoderam dele transformam-no num monstro capaz dos piores atos. No entanto, a obscura história da irmã e do homem abastado que se servia dela – e que, apesar de morto, continua a instigar-lhe um ódio devastador – não é exatamente como ele pensa que se lembra. Depois de anos emigrado na Alemanha, o Meças regressa à sua aldeia de origem. Com ele vivem o filho (a quem detesta) e a nora (a quem deseja, mas inferniza a vida), atemorizando, de resto, todos os que com ele se cruzam. Uma história de violência, em que a progressiva definição dos contornos da memória revelará novas e dolorosas verdades. (Ler crítica)

‘Breve História de Sete Assassinatos’ de Marlon James

Jamaica, 3 de Dezembro de 1976. Sete assassinos de metralhadoras em riste entram de rompante na casa de Bob Marley. Apesar de ferido no peito, o cantor de reggae sobrevive. Os homens nunca foram descobertos. Mais de oitenta mil pessoas assistem ao concerto que Marley dá dois dias depois. Uma Breve História de Sete Assassinatos é um livro que revela um poder narrativo ímpar para explorar este evento quase mítico. Com uma ação que atravessa três décadas e vários continentes, narra as vidas de vários personagens inesquecíveis — miúdos da favela, engates de uma noite, barões da droga, namoradas, assassinos, políticos, jornalistas, e mesmo agentes da CIA. Uma Breve História de Sete Assassinatos foi considerado um dos melhores e mais extraordinários romances do século XX, abordando as questões do poder, do dinheiro, do racismo e da violência. (Ler crítica)

‘Contos Musicais’ de Wackenroder, Kleist e Hoffmann

Contos Musicais reúne cinco textos literários de figuras cimeiras do romantismo alemão, unidos pelo poder – redentor e demoníaco – da música, arte suprema do inefável e do metafísico. Nesta colectânea de temática musical, Wackenroder, Kleist e Hoffmann cruzam universos, estilos e afinidades: do esboço biográfico e ficcional de um músico atormentado (A estranha vida musical do compositor Joseph Berglinger, 1796) à alegoria em torno da magia atribuída à música desde a aurora dos tempos (no poético Um maravilhoso conto oriental de um santo nu, 1799) e à metáfora do poder da arte sobre a barbárie em A Santa Cecília ou a força da Música (1810). Hoffmann encerra este fértil diálogo entre artes com Cavaleiro Gluck (1809), a história fantástica de um excêntrico e carismático compositor na Berlim de 1800, e o O Barão de B. (1819), uma sátira mordaz a intemporais pretensiosos musicófilos. Páginas que nos relembram que a música sempre fascinou a literatura e continuará a intrigar a posteridade, quer como via para o onírico e o impalpável, quer, à margem das leis da racionalidade, como périplo pela alienação e pela loucura. (Ler crítica)

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