#12 Essenciais do Cinema

2 FEVEREIRO, 2017 -

Se estás a ler isto é porque chegaste ao “Essenciais do Cinema”– uma nova rubrica da CCA para quem quer descobrir um pouco mais. Com temáticas menos generalizadas, por vezes menos actuais mas igualmente relevantes. Com tudo isto, é normal que por aqui encontres – e temos mesmo de te avisar – mais texto. Bem-vindo ao “Essenciais do Cinema”.

Amarcord (1973)
Realizador: Federico Fellini
Protagonizado por: Magali Noel, Bruno Zanin e Pupella Maggio

Amarcord impressiona pelo seu grau explícito e gráfico, pelo menos ao nível de linguagem, e é, claramente, uma das grandes comédias dramáticas de todos os tempos, sendo uma das mais influentes. É a melhor comédia de Fellini e das mais excêntricas, podendo ter diversas interpretações surrealistas e até auto-biográficas para Fellini. É satírica e muito inteligente na sua descrição da Itália fascista, contendo um altíssimo grau de conteúdo sexual. É uma comédia com algumas partes dramáticas, e mesmo essas partes dramáticas têm um certo sabor cómico que embeleza e engrandece esta verdadeira obra-prima.

O protagonista é Titta, um jovem que vive numa pequena cidade, Borgo San Giuliano, em Itália, que a descreve como uma vila cheia de personagens estranhas. A história de Amarcord é vista pelos seus olhos. Ocorre nos anos 30 com o crescimento do regime fascista e do poder autocrático. Mussolini é, muitas vezes, mencionado, de forma satírica, como um sábio e salvador do povo.

É uma das obras cinematográficas mais simbólicas e fantásticas dos últimos 100 anos e outra das obras-primas do mestre Federico Fellini que, juntamente com La Dolce Vita, Otto e mezzo e Le Notti di Cabiria, consegue aqui uma das mais realistas e nostálgicas viagens no tempo, com uma inteligência audaz e discreta que, apesar de muitas vezes incompreendida e de acção lenta, produz uma autêntica passagem da vida e realismo ímpares, apenas igualado por outros mestres do cinema. Amarcord é, em grande parte, uma comédia excêntrica, “burguesa” e brejeira que demonstra uma realidade mais pobre e interior da Itália fascista dos anos 20/30. A sua excentricidade representa, neste filme, a estupidez de uma Itália cada vez mais submergida num ideal de isolacionismo e xenofobia, com o único intuito de criar um regime ditatorial em que o povo pouco ou nada ordena. Só Fellini poderia realizar esta obra-prima. O cinema e os nossos Essenciais do Cinema nada seriam sem o mestre Fellini.

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