#11 Essenciais do Cinema – Muerte de un Ciclista (1955)

1 JANEIRO, 2017 -

Se estás a ler isto é porque chegaste ao “Essenciais do Cinema”– uma nova rubrica da CCA para quem quer descobrir um pouco mais. Com temáticas menos generalizadas, por vezes menos actuais mas igualmente relevantes. Com tudo isto, é normal que por aqui encontres – e temos mesmo de te avisar – mais texto. Bem-vindo ao “Essenciais do Cinema”.

Filme: Muerte de un Ciclista (1955)
Realizador: Juan Antonio Bardem
Protagonizado por: Lucia Bosé, Alberto Closas e Bruna Corrà

Esta pode ser uma escolha estranha para muitos dos fãs do Cinema espanhol, mas garanto-vos que é uma escolha honesta com o intuito que destacar um dos melhores thrillers e mais misteriosos do pós-guerra. É o melhor filme de língua espanhola alguma vez feito, foi bastante censurado por Franco, devido às suas perspectivas sobre o regime e descrição da diferença entre os poderosos e os menos poderosos. Igualmente, estuda de forma pormenorizada a mente humana, dissecando duas personagens que se sentem culpadas pelo acto horrível que cometeram.

Dois amantes, inadvertidamente, atropelam um ciclista. Apesar de ainda estar vivo, eles decidem não ajudá-lo, devido à publicidade que poderá acontecer, fruto da fama e reputação da mulher deste casal de amantes, casada com uma homem muito rico e importante. Eventualmente, o ciclista morre, iniciando um conjunto eventos que poderão sentenciar o fim da relação promíscua que ambos vivem. Os dois amantes são muito diferentes um do outro, ela é famosa e bem colocada na vida, ele é igualmente bem colocado na vida, mas não é respeitado pela sua família e é visto por muitos como um estorvo, apesar de ser um professor universitário. Atormentados pela culpa do seu trágico acto, ambos vêem a relação desmoronar-se, fruto da chantagem e manipulação que eles próprios são vítimas. O que parece ser uma decisão resignada, e uma forma de aliviar a dor e a culpa que vivem, resulta numa demonstração da verdadeira natureza dos seres humanos, na sua forma mais egoísta.

A dissecação das personagens é a mais forte característica deste clássico de Bardem, que analisa pormenorizadamente as vidas destes dois amantes, nunca temendo o fim trágico que ambos acabam por ser vítimas. É um dos filmes mais censurados da história do Cinema, e foi visto por Franco como um insulto ao regime. Contém aquela chama polémica e controversa que torna esta magistral tragédia romântica num dos mais importantes filmes da história do cinema europeu.

Comentários

Artigos que poderão ser do teu interesse

ARTIGOS RELACIONADOS

Se estás a ler isto é porque chegaste ao “Essenciais do Cinema”– uma nova rubrica da CC

Se estás a ler isto é porque chegaste ao “Essenciais do Cinema”

Se estás a ler isto é porque chegaste ao “Essenciais do Cinema”

Se estás a ler isto é porque chegaste ao “Essenciais do Cinema